segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Me deixa?

Me deixa te ter pra mim?
Só um pouco, eu juro.
Alguns segundos, o bastante
Pra eu te dizer que amo sem me arrepender?

Me deixa te ter pra mim um instante?
Um instante infinito, que eu possa guardar.
No bolso, na bolsa, no rosto, no olhar.
Me deixa te olhar?

Me deixa te ter pra mim, só pra ter?
Aqui perto do meu peito.
Me deixa te ouvir, me deixa preocupar
Me deixa dizer que te quero tanto?

Me deixa ter teu sorriso, teu abraço,
Teu amor, teu estardalhaço
Tua risada linda, a tua timidez.
Me deixa te ter pra mim, só pra eu me ter de volta?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

TÉDIO

é uma desculpa pra falar de sexo.

SEXO... é uma desculpa pra não falar.

Coragem

Sou fraca. Leve como uma folha, tudo que me atinge vem como um furacão e me leva pra longe da calma. Sinto tudo muito, mesmo. Vejo, respiro, toco, mordo, provo, arrepio. Deixo as lágrimas rolarem, grito quando o ódio domina, quando a emoção,  rio alto.

Te senti muito, em cada partícula do meu corpo, em cada gota do meu sangue. O olhar, a respiração, as mãos, os dentes, o gosto, a luxúria.  Senti. Senti medo de te perder, senti vergonha da minha vulnerabilidade, senti a felicidade de estar em teus braços.

Essa minha fraqueza é minha marca. Sou ela, e ela me existe. Minha fraqueza me fez livre, ardente, continua. Ela me fez forte, apesar das escoreações. Forte por que, de todos os medos do mundo, eu escolhi não ter o teu.

Viver.

E é assim que eu vôo. Pena que tu não tem a coragem de me dar a mão e ver a cidade de cima. É tudo muito mais bonito daqui.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Hoje

Vento, passe e leve.
Leve como a pena, leve contigo.
Leve tudo, leve pra longe.
Toda essa angustia, todo o castigo.

Pegue ás lágrimas que meu rosto esconde,
Lave minha alma, lave minha vida.
Traga-me a paz, cure a ferida,
Diga que tudo que vai, vende.

Venha vento, venha chuva,
Hoje eu vejo, hoje eu rezo,
Hoje eu creio, hoje eu peço.
Faça com que eu esqueça.

Essa vontade de lembrar,
Esse esforço, esse desgosto,
Essa humilhação.
Leve contigo, para sempre estar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Morredura

Já não me bastava ter morrido, apodreci.
Em meio a minhas ex-palavras quentes, estou gélida.
Meu corpo jaz no pé do poema.
Meu corpo jaz no piscar daquele olho.

Em meu relicário, pequenas letras de cristal estão adormecidas.
Elas não querem acordar, pois não acorda a dona querida.
Não acordo mais, arrependida.
Minhas pequenas palavras, gotas de saliva.

Lágrimas.
Venham, dêem um abraço no meu não respirar.
Vou sentir falta de remendar,
Saudade de narrar,
de colher minhas frases feitas.

De olhar esse luar que é a alma dele,
Me digam palavras, o que eu disse?
Preciso ouvir a voz grossa me dizendo “Calma”
Preciso ficar calma.

Mas apenas virei pó.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

.

Toda perda é uma morte... mas não importa realmente quantas vezes você morre, mas sim quantas vezes você consegue ter a coragem de cair do céu nessa terra enlouquecida, somente para tentar ganhar outra vez.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Do avesso

Gosto de quem sorri com os olhos, de quem ri com a alma, sem medo de fazer barulho. Gosto de quem ama, de quem chora, de quem sabe o que quer. De quem não tem medo, não vê exagero, só fala a verdade.

Gosto de quem fecha os olhos quando recebe carinho, de quem não tem vergonha de pedir um abraço, de que fala alto, de quem se lambuza com sorvete. Gosto de quem não tem medo de sujar, de quem gosta de brincar, de quem escreve bilhetes.

Gosto de quem gosta do avesso, de quem não vê aparência, mas vê experiência, vê tempo. Gosto de quem como pão com café, de quem acorda pra ver o nascer do sol, e até de quem acorda para vê-lo se por. Gosto de festa, gosto de quem samba, gosto de quem mosha.

Eu gosto tanto de tudo, e gosto de nada ao mesmo tempo. Eu gosto do ser humano, eu gosto do passatempo. Eu gosto de quem gosta do que eu não sou... e gosto de quem não é o que eu gosto de ser.

Eu gosto da vida.

Eu gosto do olhar.

Sorrindo com o avesso.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Acesso negado

Preciso de palavras - nunca precisei tanto delas – mas minha mente me nega o acesso. Não tenho mais idéias, e meus sonhos não mais guiam meus parágrafos. Minha mente está vazia, como se o mar de expressões familiares estivesse seco. Me sobrou apenas o sal.
Na dor, na dúvida e na certeza, não sentir nada é a pior ausência. Não se tem caminho, reta, bifurcação. Quanto mais se caminha no infinito, menor a chance de se encontrar o caminho de volta. É como se o mapa estivesse molhado, e as linhas estivessem borradas, se entrelaçando com nós de escoteiro. Não tem saída. Nem puxe, nem empurre.
Eu sai da área do meu radar.
Acho que não amarrei nada direito. Atar as palavras umas as outras nunca foi um desafio tão difícil. Parece que a linha apodreceu, ou o rolo acabou.
Meu pequeno quarto escuro foi ocupado por outra coisa. Ocupado por ele.
Pelo menos meu vazio tem nome. E agora que consigo dizê-lo, me permito abrir a porta. Ele se encolhe na quina vazia do quarto, em meio a tropeços no escuro. A dor entra no quarto, senta em minha poltrona verde e sorri.
-Seu quarto tem cheiro de álcool.
Estamos aqui então, sentados em meio a copos de dose. Eu, ele, e a nossa dor.
Vamos beber pra esquecer a pirraça!