quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Confissões

Quatro da manhã. Às vezes me dói ver que tomo para mim coisas que são desnecessárias. Me dói ver que um palavra ou duas mudam o rumo de um dia que tinha tudo para ter sido genial. Tenho pouco controle das minhas palavras e, às vezes, me envolvo demais com o problema alheio. Não por que não tenho os meus, mas simplesmente pelo fato de me sentir no meio do fogo cruzado.

Está fazendo frio, e o sono parece mais distante que o horizonte. Quero fugir, de uma forma ou de outra. No fim, estou fazendo tudo errado. Está errado até pra mim e minha incontinência verbal, o que não é muito fácil.

Acho que estou sentindo falta de um abraço. Essa falta está me amargurando tremendamente. Abraço por abraço, beijo por beijo, mente por mente. O mal da solidão está me corroendo em pedaços pequenos e frágeis, que aos poucos se quebram em outros menores, e tenho medo de chegar a ser pó.
Confuso, confusão. Me de sua mão e me puxe de volta para cima. Tenho me escondido atrás de poucos momentos de felicidade, atrás de um som de corda, atrás de vozes unificadas. Tenho me agarrado a pequenos flashes de alegria, esperando não cair, onde, eu acho, é inevitável. Como gostaria que não fosse. Quero permanecer assim, nesse estado de diversão finda e alerta. Preciso permanecer assim para não me perder.

E o medo de o perder? Como é ter medo de perder algo que nunca se teve? Não é a primeira vez que isso acontece. Essa sensação de vazio. A verdade, nua, crua e feia, é que sou mais fraca do que demonstro ser. Sou mais fraca que essa carcaça imprevisível e essas feições expressivas. Sou mais fraca, mais emocional e mais dependente do que gostaria, do que faz bem.  Tenho essa mania de tentar consertar o que não me pertence, mesmo sabendo que não sou forte o bastante nem para me consertar.

As vezes sinto a necessidade de voltar atrás. De me arrepender. Só que sei que, no fundo, não consigo me arrepender do que faço, por que minha impulsividade não é verídica, e tenho até a mania de pensar demais.
Sinto falta de mim, no fim. Acho que mudei demais de uns tempos pra cá, e a verdade me dói como um tapa na cara.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sem ser casa.

Rostos sorridentes, pulos, lágrimas, fim. No meio da multidão, uma falha. Dissimulada, introspectiva. O sorriso não chega aos olhos, que também não brilham. São frios e opacos, em reflexão ao dia quente e expressivo. Estão secos, desobedientes. Ela gostaria de sentir, mas sentir está longe de ser uma possibilidade. Ela gostaria, mas não se permite. No passado, sentir foi uma espécie de facada. Certeira, mortal.

Ela olhou para os lados, a procura de apoio. Olhou para os lados a procura de um abraço sincero. Na verdade até os encontrou, mas não nos braços que gostaria. Nem tudo é como a gente sonha.
Acendeu um cigarro. A brisa bagunçava os cabelos, e os segundos passavam devagar, em contraste com os carros acelerados na avenida. Coloridos, brilhantes. A fumaça dançava em volta do sol, e a beleza generalizada era, na verdade, triste. Quando tudo está muito alegre, é monótono, por que em algum lugar do mundo alguém chora.

Queria ir embora, pra qualquer lugar, embora pra algum lugar que não fosse casa, que não fosse concreto, que não fosse prisão. Fugir, pra qualquer lugar, com a chama de uma vela e um violão. Com uma garrafa de vinho e umas roupas velhas pra improvisar. Um lugar onde o céu tivesse mais estrelas, sem ser daquelas que a gente liga na tomada. Um lugar onde, durante a noite, se escuta o silêncio mesmo quando há barulho.
Mas o bucolismo lhe escapou, e a cidade lhe encheu os ouvidos com uma buzina. Falsidade, fumaça, fim.

Havia acabado, finalmente, sem nem ter tido a oportunidade de começar. Desilusão, divisão, apreensão.

Força.

domingo, 23 de outubro de 2011

28hrs

Calor e repressão na madrugada. Esclarecimento. Rostos tristes, nenhum sorriso a vista, como queria um, pra reeducar meus músculos. O tempo passa. Letras, letras, letras, números. Frio, chuva fina e sonora, o telhado recua. A nitidez das palavras no quadro incomodam, 5,4,3 horas, falta quanto? Falta muito, falta o seu1 futuro. Falta a sua ausência. Ônibus lotado, sacode. Direita, esquerda. Plin, cabelo encharcado chicoteando o pescoço. Ossos de metal, chuveiro. Roupa de cetim, táxi não dividido. Linhas verticais, horizontais, coloridas. Violão sem corda, um baixo. O som invade o sono, invade os ouvidos com seu gosto de saudade. Telefone ocupado, linha muda, aconchego. Banco de trás do carro, visão embaçada. Cheiro. Café, gentileza urbana esquisita. Biscoito de polvilho. Cama, dia, madrugada. Vento.
Inconsciência. 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Review



Ando numa antítese sentimental  fora do comum. É frio e quente ao mesmo tempo.  Tenso e monótono. Tenho lidado com situações inconvenientes, tenho feito coisas que nunca imaginei fazer. Atirei-me em um poço sem fundo aparente, e estou com medo de encontrar ossos do passado ao longo do caminho escuro, assombrações para minhas novas escolhas. Péssimas escolhas, no final das contas.

O problema é que, por mais fora do comum que meu presente pareça, é tão desafiador que não consigo deixar a idéia embaçada do que o futuro pode me reservar de lado, caso eu continue nesse rumo. Estou dirigindo na neblina, esperando encontrar abrigo, quando está claro que não há nada a quilômetros. Fico o procurando com os olhos, incomodamente, sem conseguir prestar atenção no que me dizem. Parece precipitação, mas não consigo pensar em nada. Não é sentimental, nem coisa bonita, é simplesmente uma sina. Desafiadora e cruel.

Pecadora. Me olho no espelho com a impressão de não me reconhecer. O rosto que sei, é meu, me encara com olhos de repudia. Que rumo tomei na estrada, se não o do abismo? Ele está lá, tão próximo e ao mesmo tempo tão distante. Está lá, outra mercadoria danificada e contraditória para a minha coleção de almas perdidas e enganadas, não pelos outros, mas por si mesmas.  Acho que me identifico com olhos opacos. Os meus estão limpando a alma de dentro pra fora, coisa que já não faziam a muito tempo, brilhando em uma tristeza colossal.

Atitudes são um disperdício. É proibido tentar, mas deixar pra trás me parece tão fora de questão. Laços estão sendo cortados em uma história sem inicio nem fim, cheia de pessoas no meio. Só quero um dia de chuva pesada, e ainda me recordo do vestido preto molhado e do pé quebrado. Passado e futuro se encontram em uma linha tênue. É apenas uma repetição, como rebobinar uma fita quebrada.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sacrificio

Não percebi o que estava acontecendo até ontem, quando noticias dele, que deveriam me levar ao poço, me fizeram rir. Por que o esqueci? Tenho medo de que essa idéia louca seja verdade, e você seja mesmo um dos meus motivos rudes para esquecê-lo. Mas pra que sair de um poço para mergulhar em outro?
Esse teu olhar é sacrifício, essa tua boca é impossível, teu corpo é proibido, com um ar de sonho e desespero. Não sei das tuas intenções, mas apenar te olhar me da vontade de correr pra longe de você, só pra não correr pra perto. E você sorri, e provoca, e pega, e o simples toque me faz pensar num to que a mais, ousado, ofegante. Acho melhor você parar com isso, por que meu descontrole está no limite da ausência.
Quando você menos esperar, ele ataca.