segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Anestesia

A dor daqueles amores nem me atormenta mais
Estou em estado de nostalgia,
Drogada em alucinações.
Eu tomei uma anestesia,
Agora nem sinto mais.

Não sinto mais a dor do relógio com o tempo que passa
Não sinto mais a saudade que aperta o peito.
Não sinto mais o gosto do beijo,
Não sinto mais o prazer da mão que afaga.

Ainda posso ver os olhos,
Teus olhos impressos no reflexo dos meus,
Tua boca na marca da minha fala
Tua respiração guiando a minha pra longe.

Sinto-me sendo levada. A louca de camisa de força,
Prevenção, apesar de anestesiada.
Posso ter um colapso e querer te seguir.
Posso ter um colapso e querer te matar.

A morte que resolveria este meu amor psicopata.
E sinto tuas mãos nas juntas das minhas.
Não posso cair no passado, alguém tem que impedir.
Tratamento de choque pra moça que não sabe mentir.

Mentir que não sente, que esquece e que quer matar,
Quanto mais te amo, mais te odeio.
A cada segundo que amo é um segundo que perco.
A faca é na vertical, corte sem anseio.
Doutor? O senhor consegue ouvir meu apelo?

sábado, 20 de novembro de 2010

Abraço

A grande questão é que eu não deveria me importar.
Mas me importo.
Não deveria me preocupar.
Mas me preocupo.
Não deveria me apaixonar.
Mas sou completa e estupidamente burra.

Tudo bem então.
Tu me avisaste.
Eles me avisaram.
Eu não escutei.
Podem dizer o “eu te avisei”.

Mas a tentação invade minhas veias,
E o teu veneno está debaixo da minha pele.
Queimo viva, incendeio e grito.
Mas é ardente, é o que eu preciso.

Mais uma dose.
Só mais um dose de ti,
E mais outra, e outra.
Eu quero muitas doses.
Overdose.

Talvez eu queira morrer.
Assim, em completa alucinação,
Para ignorar o que viria depois de outra noite,
Outra noite agarrada em teus braços.
Para ignorar as risadas dos que me avisaram.

Boas Vindas




O cheiro de terra molhada invade minhas narinas.
Enquanto afundo meus pés descalços na lama.
Ando no acostamento, com os sons da estrada, sinto o vento,
Arranho meus braços em arbustos floridos.

Uma onda de paz me invade a alma.
Movo meus pés lentamente, esquerdo, direito.
Enquanto a chuva cai, congelante, calma,
E o único outro movimento é o arfar em  meu peito.

Fugindo, finalmente estou seguindo meus próprios passos.
Estou tomando meu rumo, sentindo o peso das minhas escolhas,
Desenhando meus próprios traços.

Talvez fosse melhor se tu estivesses aqui.
Teu polegar traçando círculos em minha mão. 
Teus dedos nos meus.
Mas ao não te ter ao lado meu coração sorri.
É mais doloroso quando não é recíproco.

A minha frente, na estrada, vejo um vulto de capuz,
Capuz negro que tapa o rosto. Um leve sorriso torto.
A risada metálica que me arrepia.
Minha mente diz "Corre!" mas não fujo da Morte.

Ela não me é estranha,
É quase uma velha amiga,
Que sempre vem, visita e nunca fica,
E agora faz sinal pra que eu me aproxime,
E me dá um abraço de boas-vindas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Vento

Meus olhos sempre dirão mais do que você quer saber,
E minha língua traça em sua boca os contornos
Das palavras que não sei se quero dizer.
Em sangue escrevo por linhas tortas.
Não será certo, pois prometi não sentir.
Mas prometer isso é uma promessa inimaginável.
Com seu jeito desajeitado, ridículo e amigável.
Agora tenho mais uma divida que não posso cumprir.
Não posso estar me apaixonando por você.
É uma repetição de fatos passados...
Desconexos mas mesmo assim, uns aos outros atados.
É idiotice e é um erro.
Sei que estou me enganando
Mas a mentira monta a verdade aos poucos.
Se é de você que preciso e admito chorando,
É de você que me livro, pois sei que em mim não pensa.

Então não olho nos seus olhos.
Você não vai querer saber o que os meus tem a dizer.
Não vai querer abrir a janela para a ventania que é minha alma,
Vento que carrega meus pecados.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Picadeiro.

Quando dei por mim estava no picadeiro.
Atração principal de um freak show.
Eu era o palhaço louco vestido de vermelho.
Eu era a lesada que você levou mas não pagou.

A luz dos refletores me feria os olhos.
E as risadas toscas me invadiam os ouvidos.
De minhas lagrimas saiam os arco-iris que enfeitavam o circo.
As paredes eram construídas de sangue e ossos.

Meus demônios me assistiam fascinados.
E meus anjos jaziam mortos aos meus pés.
Eu estava acorrentada aos meus sentimentos.
Eu estava presa a dor de ter acreditado.

Mas as correntes são cortadas quando o circo pega fogo.
E o palhaço se levanta enquanto a platéia grita.
Sou a idiota que por você foi engolida.
Mas também sou a piada que vai destruir seu coração.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Olhos vendados.

Cansada. Estou muito cansada.
Mas com mais medo, que cansaço.
Medo que corrói as minhas entranhas, e eu
Fico sem saber para onde olhar.

Me diz se vale a pena.
A pena que vou sentir, de mim.
Quando isso acabar.
Como já acabou antes.

Precocemente vejo meus olhos serem vendados.
Amo, amo, amo. Amor que cega.
Não ilumina, não dá rumo.
Tira o rumo tracejado horas antes.

Não vale a pena, pois terá fim.
Não vale a pena. De um lado só, não a vale.
Sou jovem, sou puramente obscena, com hormônios que borbulham.
Com um coração que borbulha.

Mas nada tira a venda.
Nada apaga a memória. Ainda amo.
Sou nova demais pra isso.
Mas ainda amo.

Quero ver novamente.
Quero deixar de amar.
O fim não vale o risco.
O traço que desenhara minha morte.

Ela vem e carrega minha alma.
Por alguém que não me ama.
Fim trágico, shakespeariano.
Quero um copo de alcool puro.

Quero um cigarro, uma alucinação.
Quero apagar, quero esquecer.
Quero um coma.
Como eu quero, como queria. Você de novo. 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Gatilho

Qual é a dor imposta
Ao pobre e deplorável ser humano...
Que não tem mais palavras pra suporta-la.
Que não tem garra pra suportar os cortes.
Qual é o castigo do ser humano que se deixa sangrar?

Sangra, e sangra em uma jarra.
Guarde esse sangue para que usem em um funeral perverso.
Enterro da mente que tinha pensar.
Guarde essa pobre alma que não tem medo de errar.
Guarde-a para que alguém aprenda com seus erros,
Pois ela não aprendeu.

E a falta de palavras forma a incoerência
Forma a inconseqüência de quem quer se jogar
Na liberdade do ar cortando o rosto na velocidade.
Mesmo sabendo que não pode voar
Ela quer se perder na tormenta e no fogo.

Não há o que fazer agora.
As lágrimas frigidas lhe escorrem a face branca.
Sem alma, sem sangue.
É oca, como um boneca de lata.
E quem lhe fez isso foi o espelho.

Ninguém é responsável pela própria dor.
Ninguém é responsável por puxar o gatilho.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu não sei pensar.

Ghandi já disse que toda a vida na terra tem um propósito. A nossa vida tem um significado pra alguém, de alguma forma, em algum lugar. Não quero irritar Ghandi, nem acho que tenha algum tipo de potencial para critica-lo em sua busca por um sentido pra vida. Na verdade, ele disse que não devemos achar um sentido. O sentido apenas existe, e é isso.

Sou um ser humano. Tenho a droga do polegar opositor. Consigo descascar laranjas. Mas não sei qual meu objetivo final, não tenho metas, e as idéias que tive até hoje não foram concluídas. Nunca conclui nada em minha vida, e não sei o que quero. Estou me formando e não tenho um curso superior preferido, não sei se quero inglês, espanhol ou italiano. Não sei nem o que vou querer de almoço.

Logo, não sei pensar.

Quero dizer, eu sei pensar, mas não sei organizar meus pensamentos de forma lógica e coerente. Não sei se isso me faz mais ou menos humana. Todos tem suas dúvidas, no fim.
Alguns pensam que viveram para amar alguém. Outros pensam que estão aqui para arrecadar milhões para suas empresas, e morar numa puta casa, com uns dois iates no porto particular.
E alguns poucos concluíram que a dúvida é o beneficio. O objetivo está lá. É como a religião, ou o mundo das idéias. Nós acreditamos neles, mas nem sempre temos como provar que eles existem.

Eu definitivamente não nasci pra amar alguém. Não sou compreensiva ou altruísta a ponto de viver minha vida pra ter um cafuné antes de dormir. Não é que eu não ame. Amo, mas não sei me entregar. Não sei chegar e dizer "EI, SEU BABACA, eu te amo, tá vendo não?". E, definitivamente, não quero ter iates. Odeio sol, e areia, e gente semi-nua correndo na areia. Eu sou uma pessoa que nasceu pra fazer perguntas estranhas e tomar café. Que nasceu pra acordar tarde e pra ficar olhando a lua a noite. O que você faz com uma pessoa dessas?

Não sei o que vou fazer com a minha duvida. Acho que vou plantar ela no algodão e ver se ela fica grande o bastante. Grande ao ponto de me fazer querer prová-la. E tira-lá.

E descobri-la.


Eu não sei pensar.
Sou tola, sou humana
Sou perversa e sou fraca.

Não sei viver sem estas bases,
Sei viver sem ter você.
Mas não sei viver.

Me apego fácil.
Jogo fora fácil.
Sou supérflua.

Sou puro defeito.
Sou puro encanto.
Sou puro veneno.

Não sei demonstrar,
Mas sei que sinto.
Sinto muito que seja assim.

Sinto muito não ser o bastante,
Não ter tido o instante
Pra te dizer.

Não sou de ninguém,
Sou de todos,
Mas queria que você fosse meu.


Descrição de uma tola que quis correr na chuva.

Eu sai na segunda. Começou a chover. Eu estava meio tensa e fui andar na chuva. Sou tão besta que tropecei num degrau INFELIZ e torci o pé. Torcer o pé faz com que você pense nas coisas. As vezes os motivos pelos quais nós vamos andar na chuva, correr na chuva e tropeçar na chuva, não são motivos o bastante para que você vá parar no hospital na manhã seguinte.
Meus motivos nunca são o bastante. Mas eles me fazem escrever. Escrever é uma forma de libertação. Mesmo que ninguém vá ler. Mesmo que ninguém vá sentir exatamente a mesma coisa que eu estou sentindo. Mesmo que de nada adiante.

É só um blog. É só mais uma pessoa querendo se expressar.
Existem motivos e motivos.

Eu tenho um. A vida tem todos.