As vezes eu me imagino parando na frente da sua casa e gritando, com todas as minhas forças, pra você voltar pra mim. Imagino a sua família espiando a cena pela janela, enquanto me desfaço em declarações mortas pra você e pra sua vizinhança. Não ia adiantar, ia?
“Três palavrinhas só, eu aprendi de cor”, foram entalhadas no meu cérebro de forma dolorosa e permanente, certo?
Eu sei, é difícil me imaginar, eu, euzinha, a “rainha da frieza”, gritando na porta da sua casa, mas eu faria. Eu me declarei, não declarei? Eu te pedi de volta, não pedi? Que são cinco passos pra quem já deu quatro?
Não são nada.
Você prefere na porta da faculdade? Na porta do seu trabalho? Você prefere que eu cante? Toque no violão? Ou você prefere que eu me aproxime de você, e diga no seu ouvido? Aproveite, eu nem sempre sou tão gentil a ponto de te deixar escolher como quer ouvir o “eu te amo”.
Por que eu te amo.
Quando você me perguntou se eu resumiria tudo que eu sinto, senti, enfim, em três palavras, meu coração bateu tão forte que, por alguns segundos, imaginei se tinha te atingido, com a proximidade em que estávamos. E depois ele parou. “Eu posso resumir?”. Será que se eu tivesse baixado a guarda e dito exatamente o que eu queria dizer, exatamente o que você queria ouvir, você teria me escolhido?
Escolhido. Me senti uma batata na feira, nesse momento.
Eu me prestei a ser uma das opções, e não a única opção... é. Quando é amor, não é cego, é retardado. E essa história ta fazendo aniversário.
Até rimou.
Pensar que o tempo passou tão rápido. O tempo passa, a gente aprende, a gente esquece. Surgem novas pessoas, de formas inesperadas, em lugares inesperados.
Sim, eu ainda te amo. Não, não irei gritar na porta da sua casa, até por que esqueci meu guarda chuva por ai, e o tempo não tá com cara boa. Não sei se quero comprar outro guarda-chuva. Sobre o violão, seria legal, se eu soubesse tocar.
Falta um guarda-chuva, falta um violão. Falta coragem...
Falta você.