terça-feira, 31 de maio de 2011

EEI, VOLTA PRA MIM?

As vezes eu me imagino parando na frente da sua casa e gritando, com todas as minhas forças, pra você voltar pra mim. Imagino a sua família espiando a cena pela janela, enquanto me desfaço em declarações mortas pra você e pra sua vizinhança. Não ia adiantar, ia?

“Três palavrinhas só, eu aprendi de cor”, foram entalhadas no meu cérebro de forma dolorosa e permanente, certo?

Eu sei, é difícil me imaginar, eu, euzinha, a “rainha da frieza”, gritando na porta da sua casa, mas eu faria. Eu me declarei, não declarei? Eu te pedi de volta, não pedi? Que são cinco passos pra quem já deu quatro? 

Não são nada.

Você prefere na porta da faculdade? Na porta do seu trabalho? Você prefere que eu cante? Toque no violão? Ou você prefere que eu me aproxime de você, e diga no seu ouvido? Aproveite, eu nem sempre sou tão gentil a ponto de te deixar escolher como quer ouvir o “eu te amo”.

Por que eu te amo.

Quando você me perguntou se eu resumiria tudo que eu sinto, senti, enfim, em três palavras, meu coração bateu tão forte que, por alguns segundos, imaginei se tinha te atingido, com a proximidade em que estávamos. E depois ele parou. “Eu posso resumir?”. Será que se eu tivesse baixado a guarda e dito exatamente o que eu queria dizer, exatamente o que você queria ouvir, você teria me escolhido?

Escolhido. Me senti uma batata na feira, nesse momento.

Eu me prestei a ser uma das opções, e não a única opção... é. Quando é amor, não é cego, é retardado. E essa história ta fazendo aniversário.

Até rimou.

Pensar que o tempo passou tão rápido. O tempo passa, a gente aprende, a gente esquece. Surgem novas pessoas, de formas inesperadas, em lugares inesperados.

Sim, eu ainda te amo. Não, não irei gritar na porta da sua casa, até por que esqueci meu guarda chuva por ai, e o tempo não tá com cara boa. Não sei se quero comprar outro guarda-chuva. Sobre o violão, seria legal, se eu soubesse tocar.

Falta um guarda-chuva, falta um violão. Falta coragem...

Falta você.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tatuada

Não sei. Não sei se desistir é a melhor opção. As vezes, quando paro pra pensar nisso, acho que já o fiz... mas a convicção vem e vai, dura poucas horas. Por que? Você desistiu? Por que você desistiu?

As vezes me pergunto se você pensa em mim como eu penso em você.

Te ver tem sido um massacre, sabe? Como agulhas debaixo das unhas. Estar ao seu lado e não poder te tocar. Conversar com você sem, realmente, falar... É como se eu fosse um boneco de cera. Aparentemente humano, mas sem nada por dentro. Se você tirar a casca... é oco. Se você chutar... amassa.

Dói chamar de amigo quando quero te chamar de amor. Você não é meu amigo. Nunca foi. Nunca será.

Está ficando cansativo. Ainda que fosse mentalmente., mas está cansativo corporalmente. É como se a cada manhã eu acordasse com alguns pedaços a menos. Pedaços que você levou, quando apareceu no meu sonho e foi embora. E não é só isso. Está cansativo verbalmente. Usar as mesmas palavras pra te descrever, usá-las esperando que você volte. Você não vai voltar.

Nunca vai voltar, vai?

É tão bobo, tão nojento... é tão ridículo pensar que eu tenho uma vida toda, um mundo todo, tudo o que eu poderia querer, e, mesmo assim, meu mundo gira a sua volta. Uma órbita indesejável.

Mas, me diga. Eu te fiz feliz? Feliz mesmo?
Te fiz feliz durante todo o tempo em que você esteve aqui? Por que, você querendo ou não admitir, nós tivemos uma história duradoura. Pode não ter sido perfeita, aliás, longe disso, mas algum proveito você deve ter tirado desse tempo.

Por que? Era cômodo? Claro que era! Era cômodo estar com alguém que se preocupa, que te quer bem. Era cômodo estar com alguém que te ama. Por que quando você está com alguém assim não precisa se amar, se preocupar, se querer bem.Você tem tão pouco amor próprio que precisa que os outros te amem para suprir essa necessidade. O que o seu psicólogo falou sobre isso? E sobre a sua mania de machucar as pessoas que te suprem?

Doeu heim? Doeu ir embora sem dizer adeus? Doeu olhar nos meus olhos depois que a noticia chegou a mim por outras bocas? Você não se sente fraco sabendo que não soube me dizer não na hora certa? Ou você não liga?
Dói? Ainda dói olhar?

Olha, realmente. Eu espero que você a ame. Eu espero que você a ame e que ela te ame de volta, como eu te amava. Te amo. Sei lá! Eu espero que ela faça TUDO por você, como eu faria. Espero que ela te faça muito bem. Espero que no fim, não doa pra nenhum de vocês.
Eu te quero feliz pra ter a ilusão que eu não faria melhor. Te quero feliz por que espero que meu sofrimento tenha resultado em algo bom, pelo menos pra uma das partes. 
Claro que uma ponta da minha carcaça vingativa quer que doa em você, pra sempre, pensar que me magoou de forma tão permanente.. tão... tatuada.
Mas eu estou ignorando ela.

Espero que seja o fim. Só quero que acabe, certo? Quero desligar o telefone. Quero te esquecer, mas pra sempre, dessa vez.
Então, por favor. Não me diga oi. Não me abrace. Não peça pra que eu me deite do seu lado, não faça piadinha. Não fale comigo de forma alguma, me esqueça, sou invisível. Não me peça pra te alcançar nada, não me pergunte nem onde fica o banheiro. Não olhe nos meus olhos.

E, por mais remota que seja a chance, principalmente.
Nunca mais volte pra mim. Por que eu sou péssima pra dizer não. Assim como você.

Vai lá, ser feliz! Eu vou pro outro lado, assim a gente não esbarra.

domingo, 22 de maio de 2011

Estereótipo

Quando você ama alguém, o que você ama? Você ama o cabelo liso, o lábio carnudo e as curvas sedutoras, ou você ama o sorriso, a forma como a pessoa te abraça? Você ama o perfume ou o cheiro dela? Se você ama uma pessoa, você liga pros quilinhos a mais? Pra cara amassada depois de acordar? Você liga pro fato da pessoa roncar, ou você só quer olhar ela dormir?

Se você ama uma pessoa por que ela é bonita, você não ama ela, só ama o estereótipo que a sociedade criou na sua cabeça. Você não ama a pessoa, você só ama o fato dos outros sentirem inveja de você, por que, “nossa, eles são tão bonitos... formam um casal perfeito”.

Eles são bonitos. Eles são lindos. Mas eles também tem chulé, vão ter mau hálito depois de acordar, cheiro de suor quando ficam muito tempo sem tomar banho e cabelo embaraçado de manhã. Eles também vão ao banheiro, fazem o um, o dois e Deus sabe o que lá dentro, como todo mundo faz. Eles estão propensos a caspa, a piriri, a cair na rua de bunda, a ter um bad hair-day, a engordar no churrasco de domingo.
Se você ama uma pessoa, ela não é perfeita. Ela é humana, ela chora, ela grita, ela se sente feliz, ela esperneia... ela nem sempre é confiante, maravilhosa, estereótipo. ESTEREÓTIPO.

Ela SENTE. Assim como você sente. Assim como você não é perfeito, e está sujeito a desfilar por ai, por engano, com uma salsinha enfiada no meio do dente.

Respire fundo, agora que descobriu esses pequenos detalhes que lhe foram escondidos pela sociedade repressora na qual nós vivemos.


Respirou?


Sabe, o verdadeiro amor está onde os olhos não podem ver.
Talvez um dia, quando você se sentir menos burro e mais humano, você feche os olhos.

E, cara. Você vai se impressionar com o que vai poder ver.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Descobertas [1]

Não é como se eu não vivesse antes. Apenas percebi que consigo levar melhor essa vida quando estou sozinha. Sem me concentrar no abraço, nos beijos e nas palavras alheias, me impressiono ao descobrir que me concentro melhor em meus pensamentos. Me concentro melhor em minhas palavras.

A solidão me inspira.

Quando estou sozinha consigo sentir a ultima gota de sangue que corre em meu corpo, consigo sentir o alarde, os hormônios. Consigo me comunicar em meus monólogos interiores. Quando estou sozinha me permito sentir as coisas que, na frente dos outros, não se espalham. Sozinha em consigo chorar, rir, dançar. Descobri que quando estou sozinha, fico mais feliz.

Descobri também que preciso ser mais egoísta. E há forma melhor de ego do que a solidão? Sem ter que me doar, agradar, perdoar, sinto como se as palavras viessem soltas para mim. Elas são minhas, e não preciso consolar ninguém com elas. Essa é a graça da solidão.

Só eu e minhas palavras. E nós nos damos muito bem.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Despedida

Me desculpe se não sou capaz de olhar nos teus olhos. Me desculpe se sei que essas palavras são como lâminas e talvez doam mais do que podes agüentar.

Mesmo que agüente, me desculpe por não ter dado sinais, por não ter inflado a bandeira do fracasso.
Me desculpe, querido. Isso é uma despedida.

Não posso te enganar, sabe. Não posso fingir que estou bem, te fazer carinho, te beijar a boca. Não quero mais engolir esse veneno involuntário que me queima e corrói a garganta todas as vezes que te chamo de “Amor”. Esse veneno chamado mentira.

Não és o problema que desencadeou nesse fim. É de praxe dizer que sou o problema, mas dessa vez (e de todas as outras) acho que realmente fui. Sou incoerente, sou inconstante, isso nas palavras de uma antiga boca. Sou a velha romântica que não encontrou em ti o enredo ilusório de filme de romance, o beijo no alto da escada que tanto desejava. Tu és apenas mais uma das vítimas do meu desapego, do meu jeito cafajeste de ter o afago, a atenção e a garantia de amor que tanto preciso para suprir esse buraco negro que tenho em meu peito. Me desculpe se não consegui deixar claras minhas más intenções logo de cara, quando me disse que havia esperado por mim.

Na verdade, pode parecer presunção, mas me agradecerá um dia. Não desejo a ninguém esse furacão avassalador que pode ser me amar. Posso ser doce como o mel, aparentemente, mas amargo ao alcance da língua. Não sou bipolar, sou tri. Com dois toques a mais sou capaz de matar o amor, o tesão, a ternura. Apenas com o estalar de dentes da ironia posso estapear, trair, ferir, matar. Sem me mexer.

Não sei amar. Amo demais ou não sinto absolutamente nada. Ou é 8 ou 8.000. Enquanto eu não aprender, não posso te prender aos meus tormentos. Não posso te usar como âncora para o mundo real. No mundo subjetivo da minha aflição, a corrente que prende minha ancora é mais fina que um barbante, e qualquer mínimo toque arrebentará essa ligação e me levará para longe de ti.

Não sei o que sinto e sentir pra mim é como brincar. Essa é minha distração, e nem todos estão preparados pra entrar na roda. Aliás, nem todos são tolos o bastante pra girar na brincadeira até não agüentar a tontura e cair aos próprios pés.

Sou tola, sou imatura. Vou e venho, sem aviso, sem sinal. Tornado.

Acredite, querido. Estou apenas te impedindo de ser atingido pelos meus raios, e por favor, pense assim, comigo. Pense nisso como o resgate de uma salva-vidas arrependida. Estou te resgatando de mim, de minhas mãos descuidadas e de minhas ilusões cinematográficas.

Corra, ainda é tempo. Vá, enquanto te aceno “Adeus”. Se salve de mim.

                                                                                                                                  Sinto muito,
                                                                                                                                                   R.V

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Acho que te amo tanto que sentir sua falta já é crônico. Passou a fase aguda, e me resta esperar o fim.

Ou existe antibiótico pra infecções amorosas?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Parar com isso

E se eu te falar que todas as vezes que eu te vejo tenho vontade de fazer qualquer coisa para que isso pare? Essa dor de ter te perdido. Aliás, perdido não, por que não se perde o que nunca se teve. Essa dor de nunca ter tido. Qualquer coisa.

E tu me olhas com cara de piedade, e fala baixo, enquanto mexe carinhosamente no meu cabelo – Você tem que parar com isso.

Tenho que parar.

Mas sabes por que eu faço isso? Será que consegues ver, no fundo dos meus olhos, o motivo que é o teu reflexo? Eu tenho que parar com isso. Parar de me massacrar, parar de me prender, parar de me sufocar, de me matar aos poucos, sem instrumentos, somente com a consciência de que te gosto, te amo, te quero sem recíproca.

EU TENHO QUE PARAR.

Mas será que ter é querer? Será que eu quero parar, e deixar essa esperança fraca e negra de lado, a única lágrima que resta para essas noites quentes? Será que eu tenho mesmo que esquecer como é ficar deitada nos teus braços, cercada pelo cheiro de grama, olhando a lua, essa mesma lua que vejo agora através das grades da minha janela? Será que eu quero esquecer que um dia tu pensaste em mim de forma diferente dessa que agora nós vivemos?

Será que querer é poder? Será que mesmo se eu quisesse te esquecer, eu conseguiria?

O que nós somos agora? O que é o abraço, o beijo no rosto? É o esquecimento? Então nós deixamos de fingir que nada aconteceu e entramos na fase em que realmente NADA aconteceu? Nós deixamos de fingir sermos amigos, e agora realmente somos? Meu amigo?

Ter que esquecer, ter que parar. Ter...

Simplesmente, não é poder.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bala

É uma guerra.
Sem lógica, deixamos nossas almas de lado.
Achamos que de algo vai adiantar.
Mas acabamos sangrando, com os corpos inertes presos na lama.

Proposta obscena
Esquecer o que é o amor.
Esse amor de amigo, esse desejo de amigo.
Não tem primeiro nem terceiro caminho.

Estamos presos, algemados um ao outro.

Na acidez da rejeição é cada um por si.
A Deus não interessa.
Esses problemas pequenos de corações humanos.
Nós não vamos desistir.

Nem vamos esquecer.
Podemos sim, fugir.
Seu coração não para, seu respirar sim.
Quando a bala o atingir.