segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Cazuza, Cazuza

Dizem que tô louco
Por te querer assim
Por pedir tão pouco
E me dar por feliz
Em perder noites de sono
Só pra te ver dormir
E me fingir de burro
Pra você sobressair

Dizem que tô louco
Que você manda em mim
Mas não me convencem, não
Que seja tão ruim
Que prazer mais egoísta
O de cuidar de um outro ser
Mesmo se dando mais
Do que se tem pra receber
E é por isso que eu te chamo
Minha flor, meu bebê

Dizem que tô louco
E falam pro meu bem
Os meus amigos todos
Será que eles não entendem
Que quem ama nesta vida
Às vezes ama sem querer
Que a dor no fundo esconde
Uma pontinha de prazer
E é por isso que eu te chamo
Minha flor, meu bebê



- Meu caro, pena que quem pensa como você, acaba como você. Isso me dá um medo de pensar, assim, estranho demais.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Rosalina de Romeu

Ainda pressiono em meus lábios as cartas que te escrevi no limite de minha inconsciência... faço isso na esperança de que, assim como minhas palavras, meus beijos voem com os querubins e cheguem em teus lábios, em tua mente. Ingenuidade a minha.
Ingenuidade pensar que minhas idéias de amor são tão fortes a ponto de serem carregadas pelos céus até te alcançarem, como se tivessem sido gritadas, sem pudor, para o azul infinito. Se algo que te escrevi realmente chegasse a teus ouvidos, derrubaria as barbaridades do caminho e encheria estas terras que nos separam de sentimentos bons e complexos, a ponto de dar esperança a pequenos corações, velhos e apaixonados, desregrados e desmerecidos, como o meu coração.
Amor, amor, amor. O que seria desta palavra sem as mortes que a assombram, sem o sangue que a banha, sem as guerras que a cercam. Seria nada, pois o valor do amor se vê pela morte, se vê pelo fim. Só se dá o valor merecido ao que se têm quando não mais te pertence. Amor enlouquecido, enlouquecedor. Ai de mim, que não o entendo. Não é sol, pois habita na escuridão, mas mesmo assim, têm luz própria, que irradia do apaixonado, portanto não é lua. Não é mar, mas afoga, sufoca e angústia. Não tem limite, não tem principio. Arde e mata. Como um incêndio causado pela seca. Começa sem nenhum indicio, e quando deparamos com a realidado, só há destruição.
Traz tormento, traz saudade.
Pressiona as cartas em meus lábios na esperança de que o outro mundo seja um bom mensageiro e, se não, na esperança de que este me dê bons soldados, que irão até ti e te trarão para os meus braços. Porém, sei que não mereço soldados. Não sou rainha, não tenho exércitos, e minha poção de esperança não tem gotas o suficiente para acabar com meu sofrimento. Sou apenas a prisioneira das grades de ossos que construí a minha volta. Nisso sou boa. Boa engenheira. Ergui, pintei e poli um amor só meu, cheio de exageros, confortos e gritos de loucura. Cheio de palavras bonitas, cheio de esplendor. O esplendor dos teus olhos.
Talvez um dia eu me levante. Ser rainha, ser plebéia, ser caçadora. Nada disso me interessa além de ficar aqui deitada no chão de pedra,  encolhida no fundo do poço em que me joguei. Esta é minha penitência, a solidão.
Me desculpe amor, por que te menciono. Me desculpe por ter sido a outra, a última da fila dos desesperados. Me desculpe por me cansar de te imaginar feliz com ela. Me desculpe por ter me enganado e me apaixonado por aquela flor. Me desculpe por não ter me jogado ao mar e me exaurido em busca de teu barco, há muito levado pelo sopro de quem me ignora. Me perdoe por ter sido um porto sem cais.

Me desculpe amor por ter sido distante, por ter sido orgulhosa. Me desculpe por não ter admitido.

Me desculpe por ter enlouquecido.

Sempre tua, Rosalina.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Todo carnaval tem seu fim

Querido,

A vida é feita de agoras. Momentos, instantes. Não há um segundo no relógio que se repita, pois mesmo que estejas fazendo a mesma coisa, no mesmo horário, não é como no dia anterior. Pra mim, momentos são palavras. Palavras não voltam atrás. Palavras não se apagam. Palavras apenas se respondem, se completam, e ficam em nossas memórias.

Já te disse coisas que não queria dizer, assim como fiz meus lábios de refúgio para palavras que deveriam ser jogadas aos sete ventos, como confetes no carnaval, para que estas pudessem me trazer a alegria de serem correspondidas. Porém, todo carnaval tem seu fim, e não joguei meus confetes. Desperdicei um momento, uma palavra, uma vida.

Agora não é antes, não é depois, e as mesmas palavras ditas em tempos diferentes não significam a mesma coisa. Há algum tempo guardei o "Eu te amo" em meu peito, com medo de que tu pegasses minhas palavras e às quebrasse, jogando-as no lixo. Não pensei que tu serias capaz de cuidar delas. E na falta delas, foste  embora. Quando finalmente me veio a coragem, eu disse "Eu te amo" na esperança de te trazer de volta pra mim. Mas perdoar é divino, e a mágoa é constante. Não te deste conta do meu esforço para cuspir as palavras que tanto atormentaram meu peito. Passado o luto, hoje eu digo "Eu te amo", mas no próximo instante, acrescento minhas vírgulas chorosas: "mas não vou te esperar pra sempre".
Este é o meu momento de te dizer que fiz o que pude por nós dois, entre meus quebra-cabeças e minhas dúvidas cheias de certezas. Eu tracejei o teu rumo, persegui tuas linhas, engoli tuas palavras.

Te digo Adeus por que é o melhor que eu posso fazer, por mim e por ti.

Guarde bem as palavras que te dei, mesmo tardias. Elas serão tuas pra sempre, e são uma parte da minha vida.

Como as memórias de algo que veio e se foi.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Oi mãe.



Bem, você me pediu pra escrever. Não sei se tem muita coisa que eu possa lhe dizer que você já não saiba pelos veículos de comunicação. A chuva na Serra do RJ é o maior desastre climático na História do Brasil. Até o momento temos 226 mortos em Teresópolis e 225 em Nova Friburgo. Outros distritos sofreram muitas perdas, principalmente Vieira.

Há dois dias Teresópolis tem recebido no Ginásio Pedrão famílias de desabrigados. Ontem eu trabalhei no ginásio das 14hrs as 19hrs. Auxiliei famílias que perderam tudo, inclusive familiares. Apesar do trabalho de vários voluntários, o ginásio ainda está sem estrutura para receber todos que precisam de abrigo. Temos muitas roupas, mas elas estão jogadas, sem organização, e a triagem está demorada, pois é difícil organizar as  pessoas que estão dispostas a ajudar. Há problemas com as fichas de recém-chegados, e muita confusão e gritaria para organizar as doações que chegam, às vezes em caminhões lotados.

Fora a desorganização, estamos fazendo o que podemos, e o povo aqui em Teresópolis está muito solidário com a situação. Recebemos água, comida, materiais de higiene, colchões, brinquedos e sapatos a todo momento. Ontem a tarde, a policia bloqueou a rua por onde estavam entrando as doações, isso causou certo tumulto, mas foi resolvido rapidamente. Mais para o fim da tarde tivemos outro problema. O lugar onde estávamos guardando os colchonetes molhou com a chuva fina que caiu algumas horas antes. Estes colchonetes estão, por enquanto, inutilizáveis, e estamos precisando de doações para substituí-los.  

Hoje de manhã, por volta das 9 hrs, chegou a noticia de que alguns estabelecimentos no centro da cidade e no alto estavam sendo saqueados. Uma rede de TV não muito confiável informou que um grupo de 6 homens tentou saquear uma loja na rua Francisco Sá, mais conhecida como “calçada da fama”. Um dos homens disse para um vendedor “Se preparar, pois iam começar os saques”. 100 homens foram disponibilizados pelo governo do Rio de Janeiro para a segurança da cidade. O centro já está repleto de policiais, mas os estabelecimentos comerciais ainda não abriram as portas, provavelmente por causa da repórter retardada da TV não muito confiável, que fez um auê na televisão sem motivo algum, já que a policia já havia sido informada, e os homens já estavam sendo procurados.

A previsão para Teresópolis é de chuva até o Domingo, não sendo previstos novos temporais, porém, nessa altura do campeonato, temporais não são necessários, pois qualquer chuva atrapalha o trabalho da tropa de resgate, dificultando o acesso às áreas afetadas e fazendo com que a utilização de helicópteros seja ainda mais requisitada, sendo que não há grande disponibilidade dos mesmos. O prefeito fez uma coletiva hoje, também pela manhã, dizendo que a conta SOS Teresópolis, aberta no Banco do Brasil, é segura, e que o governo prestará satisfações do que for feito com o dinheiro doado. Ele também disse que, em sua reunião com Dilma, conseguiu uma verba para que a cidade consiga se restabelecer.

Fora as confusões políticas e o roteiro de filme sobre o fim do mundo, nossa família está bem, apesar de terem ocorrido alguns óbitos de pessoas conhecidas, e também termos conhecidos desabrigados. Estamos enviando nosso carinho e consideração para estas pessoas, mas a tristeza é muita, e nem sempre podemos ajudar a amenizar, com nossas palavras, o que estas pessoas sentem em seus corações. Ontem, no Pedrão, fiz o atendimento de um membro da igreja que havia perdido tudo. Não consigo me imaginar nessa situação.

A situação é péssima e estamos fazendo tudo o que podemos.

Bom mãe, isso que o que eu tenho por agora. Caso tenha novas noticias, te envio um e-mail ou ligo.

Eu te amo.
Beijos. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Under my skin

Quando me viro rápido, ainda te vejo, com o canto dos olhos, parado no canto da sala. Te vejo nos bancos onde sentamos, te vejo nas ruas que atravessamos, te vejo em cada lugar em que passamos quando ainda era o sorriso que habitava meu rosto e não o pesar.

Te vejo quando escuto os versos da nossa música, e te vejo em cada letra de outros versos, que uso como mantra pra te esquecer. Consigo me lembrar perfeitamente da tua expressão, do teu sorriso, dos traços grosseiros do teu rosto e até dos mais finos que formavam teu olhar impaciente.

Te vejo nos meus sonhos, nos pesadelos, nos olhos das pessoas que passam por mim na rua e parado na porta da escola, mesmo que tu nunca tenhas, realmente, estado ali. No tempo que passa, no relógio que para, nas histórias que conto sobre como conheci A pessoa, e a deixei ir. Te vejo no topo do castelo que construiria, se isso te fizesse ficar por quequando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo”.

No fim, te vejo em tudo, em todos, em qualquer lugar. Dizem por ai que o que os olhos não vêem o coração não sente. Mas mesmo que me coloquem uma venda, tu ainda vai estar parado, me observando, no canto da sala. Pois não te vejo com os olhos.

Te vejo com a dor de te perder, com o vazio estranho que não permite que meus pensamentos sejam preenchidos por outro tormento. Te vejo por que teu nome corre por minhas veias, infectando cada célula do meu corpo com o veneno da tua partida.

Te vejo com meu coração que bate no teu ritmo, imitando a linha sempre ocupada do teu telefone. O que eu sei, mesmo nunca tendo ligado.

Tu-tu-tu-tu.


(fragmento em itálico de Caio Fernando Abreu)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Silêncio













                                                   Estou precisando de um pouco disso.















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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

01/01

Lá fora os fogos soam altos. Altos no céu, altos em meus ouvidos, ensurdecedores na minha mente. Dentro do quarto, penso no cansaço. No cansaço das pernas, no cansaço do sol, no cansaço de espreitar. Estou tão cansada que pensar em terminar um ano para começar outro atormenta a minha mente. Talvez continuar em 2010 me impedisse de sentir a passagem do tempo. Tempo curto. Tempo sem nexo.

Tudo tem seu tempo.

Digo pra quem quer ficar em casa, nessa passagem de ano, que queria estar lá fora. Queria vestir vermelho e entrar no mar para pular as 7 ondas, queria jogar flores na agua para fazer pedidos, queria ver os fogos na areia da praia. 

Digo pra quem quer sair que quero ficar em casa, com minha familia, vendo os fogos na sacada.

A verdade?

Eu não queria ver os fogos. Não queria que meia noite chegasse.

Eu queria voltar as 9 horas da manhã do dia 31, quando estava mergulhada na agua agitada da Praia do Forte.
O que me faz querer voltar pra lá? O silêncio. O fato de que quando as ondas empurram meu corpo para todos os lados, meus problemas são empurrados pra fora de mim. 

A verdade?

Acho que não queria completar mais um aniversário dia 01/01. Não digo que quero morrer, claro que não! Isso é uma coisa absurda, que não passa pela minha cabeça. A vida me é bela de uma forma diferente. Eu digo é que a vida poderia passar sem um relógio. O tempo me incomoda. A velhice, os minutos. O 01/01. Os fogos. O cansaço.

Mas tudo tem, teve e terá seu tempo. 
Não posso mais estar nas 09 da manhã, assim como não pude impedir 00:00 de chegar.

Já que é ano novo, será ano novo e passará o ano novo, pedidos vem em minha mente, pra mim e para os outros. Minha lista de realizações de um íten.

Paz.

Quero paz de espírito. Aquela paz que não se compra, não se veste de branco, não assiste fogos de artifício. Aquela paz gostosa que se tem por dentro, que preenche e que renova. A paz de um banho de mar. A paz que não é artificial, mas é duradoura, e brilha tanto quanto os fogos.
A paz que nos faz entender que cada coisa tem seu tempo, e nada que fizermos mudará isso.

Feliz 2011. E que 2010 caia no esquecimento de ser lembrado para sempre.