segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sorria =)

E quando eu digo “Vai lá, seja feliz!” não é da boca pra fora. Eu quero que você seja feliz. Você não me deve nada, e me desculpe pelos fatos serem estes, mas se eu pudesse te pedir algo, seria a chance de te ver sorrindo, já que não sorrimos mais juntos. Eu vou sorrir, eu vou ser feliz. Não fiz por mal, nunca fiz, e te gosto muito, mas as vezes a reação das pessoas não condiz com a importância das nossas atitudes. Te magoar? Me desculpe, me desculpe mesmo, nunca foi minha intenção. Na verdade minha intenção era te salvar de alguns males que eu sei, carrego comigo. Seja feliz por esse algo no seu peito que ainda não passou, por favor. Olha a lua lá fora, ela continua cheia, ela continua inteira. Continue inteiro. Se não pode ser feliz comigo, seja feliz pelos momentos que tivemos. Eles ainda estão lá, no passado, e não sei se feliz ou infelizmente, nós não temos perca de memória curta, e eles ainda vão caminhar conosco por um tempo, até alguém novo aparecer, pra mim e pra você. Não se prenda nessa idéia de que me ama, por que até amor na vida passa. Às vezes o trem emperra, mas ele passa. Espero que um dia possa te olhar no olho e te chamar de amigo, e, se não, apenas conseguir te olhar no olhos, como não consigo agora.
Vamos lá, ser feliz. Talvez no meio do caminho a gente se esbarre de novo. Quem sabe o que o destino nos reserva?

Eu não te amo mais

Meu coração está vazio. Como o céu do inverno de Porto Alegre naqueles dias onde o frio espanta as nuvens. Também está gelado, desse jeito. Onde estão os amores que sempre me ocuparam? Eu penso em ti e não sinto nada. Sabe, estou quase com saudade de não te ter e sentir tua falta, por que agora que a falta passou, eu não sinto nada. Meu coração bate e é como espalhar vida para algo morto, rígido.

Sou pedra.

E aí eu ando pelas ruas, procurando em outros rostos algo para amar, como amava os teus traços. Mas vai ver não era amor, por que esqueci. Ou era tanto, que nunca mais vou encontrar algo que me faça sentir como teus olhos que me enlouqueciam. Teus olhos foram e vão ser pra sempre a droga mais violenta que já experimentei. Pra sempre. Nós dissemos que iria ser pra sempre, não dissemos?

Mas parece que amor nunca é o suficiente. E se não amor, esse vicio eterno de te beijar, te ter, olhar nos teus olhos, me ver em teus braços, sem respiração, só nós dois, nesse ritmo frenético de alucinação.
Mas agora, passou. E quando sinto falta de ti, é dos teus braços e da sensação do teu corpo no meu, e não mais dos teus olhos. É uma falta física, como se algo em meu corpo estivesse contigo pra sempre, e os membros restantes me pedissem para ir buscar essa parte que me falta. Estar perto de ti é pura atração gravitacional. O mais forte atrai o mais fraco. E eu sempre fui a mais fraca.

Ou será que o que chamo de fraqueza seja na verdade a minha maior qualidade? Essa, de amar fácil, de me apaixonar por olhos? Será que foi isso que eu perdi?

Meu coração não quer mais bater como antes. Meus olhos estão cravados nos teus, me perdi ai dentro.
Eu não te amo mais, e isso me mata, por que eu realmente, realmente achei que, dessa vez, ia experimentar pelo menos um pouco o gostinho do "Para Sempre".
“Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.”

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O que eu acho que ele queria falar.

-Não te amo mais, não te quero mais. Achei alguém melhor que teus abraços, que teus beijos, que tua olheira rotineira e que tua gordurinha localizada. Achei alguém que não responde às minhas grosserias, uma menina que agüenta tudo calada, que me agüenta, que me completa. Achei uma garota capitalista, machista, dona de casa, mulher de marmanjo, alguém que vai pra cama comigo sem me pedir nada em troca. Achei uma garota que é o teu oposto, que me olha no olho, que me pede pra abraçá-la, por que precisa do meu abraço. Tu é inconseqüente. Não tem limite, não tem restrição. É egoísta, não muda de opinião. Não consegue me olhar no olho, por que  o olho é a janela da tua alma, e tu não aceita minha curiosidade por olhar através dessa janela. É feminista, comunista, acha que tudo fere teus princípios agudos. É fumante, sempre com essa unha vermelha e uma baforada de cigarro. Não quer sexo fácil, quer amor difícil, quer poesia. Eu não sei fazer poesia. Tu é poesia. Quer sair na rua e gritar, quer correr, quer brincar. Não tenho mais idade pra brincar. Não tenho mais idade pra te convencer que estou certo, que é tu quem está errada. Por que está errada. Essa mania de querer mais do que tem, mais do que tem capacidade de ter. Acha mesmo que o príncipe encantado ta ai, te esperando? Te enxerga, ele nunca vai vir, e teu vestido vai manchar quando cansar de esperar de pé. Ela pelo menos me entende, ela me quer. Ela não é um enigma, ela não é uma esfinge. Ela é normal.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O inferno são os outros

Tenho me provocado. Chamando minha própria atenção com atitudes inconseqüentes, cutucando, alucinadamente, cada pedaço de minha alma, para ter certeza de que esta ainda habita em mim. Tenho um circo de horrores mental, onde os palhaços desfilam exibindo suas faces pintadas com o meu rosto, a réplica perfeita da dor. Quem é você? O que se tornou?

Me tornei metade de mim, pedaço solto. Me tornei pergunta, não mais resposta. Me tornei medo, e não mais razão. Eu derrubei as pilastras que sustentaram minha ascensão e hoje sou feita de pedaços, enxofre, cascalho, poeira. Muro de Berlim.

Entre o sono e o sonho, gritei, com medo da presença indecifrável que me observava no escuro do quarto. O que é o escuro, se não a ausência da visão, a ausência da razão? O que é o grito, se não o pedido desesperado da boca que desaprende a formar as palavras? Quem me observava, se não meu próprio medo, o demônio que eu mesma criei e alimentei, dentro de mim, com a falta de consciência? O demônio de todos.

O inferno?

O inferno é a ação, é a luxuria, o desejo, o beijo, a mentira, a provocação. O inferno está aqui, e me perdi nele.

O inferno são os outros.