quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Espero

Estou acostumada com meus infortúnios. Todos os meus amores são caminhos involuntariamente solitários, que percorro na companhia de minha mente, em pleonasmo, com alguns bons ouvintes que evitam que minha boca seque em horas de silencio. Lavo minhas mãos sujas de tinta das cartas que te escrevo, em momentos de epifania. Cartas que realmente espero que nunca sejam lidas. Apenas aguardo.

Digo isso por que as escondo para que não leia, pois acho que nem todos estão preparados para ouvir o que tenho a dizer, e tenho medo que corra assustado dos meus olhos sofridos escritos em tinta seca, preto borrado.

Se tu fores embora, ou eu, ou nós, dessa pequena cidade grande, e não mais nos encontremos subindo Bahia, descendo floresta ou desbravando o império, espero também que saiba que nos últimos meses sua falta foi a dor mais desestruturada e desacostumada que já senti, em meus tempos desconexos, e vai continuar sendo, mesmo sem sentido. Espero que seu ano novo seja melhor que esse velho de bengala que deixamos de lado, melhor que esse ano pior, por que se esse foi o melhor da sua vida, já não há mais motivos para se viver.

Espero, enfim, um nós, mas esperar sentada talvez esteja me cansando, e a boca que só sente o amargo quer de novo sentir teu gosto. Espero que essas poucas horas desse ano velho talvez te tragam pra mim, não de volta, por que não houve entre nós um caminho de mão dupla. Eu quero ter a oportunidade de te dizer o que nunca foi dito, quero ter a oportunidade de ver o teu rosto na luz do sol entre uma noite e outra, por entre as cortinas. No mais quero te ter pra mim como nunca foi possível, por que se sobrevivi a esses tempos de tempestade, o impossível já não me parece tão espacial assim.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

All I wanted was you

É como se esse “amor”, ou sei lá o nome disso, fosse uma dessas tempestades colossais acompanhadas de ventanias. Não importa o tamanho do seu guarda-chuva, você sempre acaba encharcado. Nem meus tesouros simples e clichês estão me distraindo de você. Acabei na chuva para me molhar.

Livros, filmes, musica, café, cigarro. Nada tira seu rosto da minha cabeça. Fico me perguntando se você está bem, com quem está, e se lembra de mim as vezes.  Se foi bem na prova do fim de semana, se por lá estava chovendo descontrole, como por aqui.
Esse ano você entrou na minha vida rapidamente e saiu com a mesma espontaneidade.

Outros vieram, ficaram algumas horas e foram expulsos pelo meu coração quando seu olhar encontrava o meu novamente. É como se você roubasse o papel dos meus pseudo-protagonistas dizendo: ei, esse papel é meu! E é, no momento. Mais certamente que todas as minhas incertezas infundadas. Não quero te escrever cartas que não serão lidas, só mais algumas de amor, mas veja bem: O alguém que eu quero na minha vida agora é você. All I wanted was you. Meses que procuro não escutar essa musica para o bem do meu psicológico, até que ontem ela tocou na reprodução aleatória do maldito Ipod, fazendo com que o chão de dissolvesse aos meus pés com memórias involuntárias e queridas.

Enfim, em momento algum demonstrei essas coisas que escrevo pra você, e você não é vidente. Mas pense comigo, agora que já sabe do que sinto. As vezes a felicidade introspectiva é muito maior quando temos companhia.

Desde a nossa ultima vez tenho pensado no que você pode sentir por mim, justamente pela frieza daquele momento. Estranha vez, que me fez mudar com você. Acho que apaguei essa vez da memória, na esperança de me dar uma nova chance de te conquistar.

Acho engraçado minhas reações quando está você perto. Meu corpo reage perdendo a cordenação, minha língua embola embaralhando o fio da conversa. Você já percebeu, como fico atrapalhada quando você está por perto? Eu gosto dessa sensação de borboletas no estomago. Não as tire de mim.

Só quero que você saiba que... bem... quero sentir falta de você com motivos, e não sem momentos, como sinto agora. Como uma pessoa tão pequena pode gerar tanta confusão e saudade? Posso te pagar um café pra você me explicar?
Ok, esta noite eu sei que vou dormir pensando em você. Espero que saiba lidar com isso, caso eu invada seus sonhos com um sorriso.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Nós atados

Não vai adiantar. Sei que muita gente vai passar pela minha vida, mas acho que você veio pra ficar. Sem querer, com esse seu jeito sério de ver a vida e encarar seus sonhos, você me conquistou. Abro mão de muita coisa por você, e sei que abro, mesmo com essas suas duvidas estampadas na cara, quando segura minha mão. Um banheiro nunca pareceu tão pequeno. Acho que eu mostraria pro mundo, esse nós. Nesse momento, depois de ontem, me sinto assim.

É, nunca se pode exigir nada do outro. Não vou te pedir pra sentir nada de volta, por que sentimento não se influência, só se propaga e sabemos quando é verdadeiro. Não quero nada de você que não seja exatamente assim.

Sinto sua falta não sei por que, pelo misero tempo que nosso eu e você, sem nó, durou. Só sei que gosto de estar com você, e com o seu sorriso, e com sua forma de virar tequila. Com seu jeito de dizer obrigado, com seu olhar de repressão toda vez que me vê acender um cigarro. Acho completo. Parece completo. Eu sei que me apaixono e desapaixono rápido, não posso pedir para acreditar em minhas palavras. Cada hora estou com um, desatenta, inconstante. Mas eu consigo me imaginar acordando ao seu lado, mesmo com esse meu bloqueio psicológico para dormir junto com as pessoas. Acho que por você eu tentaria. Grande passo, não?

Sei lá, reaproximar de você está acabando com os potes de sorvete da minha casa. Sinto-me impotente, não sei o que fazer. Espero que você saiba. Sei é que me disseram por ai pra te esperar, enquanto eu agüentar. Talvez eu me arrependa da espera, caso tudo de errado, e fiquemos assim, do jeito que estamos. Mas a espera vai ser uma manhã deitada ao sol com um bom livro, se no final, eu e você deixarmos de ser isso, para sermos nós, enquanto pudermos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Todo carnaval tem seu fim [2]

Eu olho pelas sombras da noite e me sinto confortável por estar escondida nesse escuro involuntário. A aflição senta ao meu lado, quando penso nesses flashs do passado, em um momento de ameaça nostálgica. Nós conversamos, atônitas, sobre horas que não voltam mais. Acho que aflição é o segundo nome da minha consciência.

Sei lá, acho que só estou com saudades. É tanta gente pra sentir Saudade que me perco nela, junto com minha lucidez. Esses dias de chuva indecisa me fazem pensar demais. Pensar em como vai ser o nosso fim, o fim desses nós que criamos esse ano. Já estou assim e o ano nem acabou. Nem me separei de vocês ainda, mas a idéia me assusta simplesmente por ter me parecido impossível alguns dias atrás. Acho, que na verdade, a segurança que estar ao lado de vocês me passou é que me fez sentir como se os conhecesse a anos, vidas, sei lá. Sou eu, quando estou na nossa pequena roda esfumaçada. Ser eu sempre foi tão estranho que nunca havia parado para tentar. Essa pessoinha confusa e chorona e, talvez, amável, estava tão escondida aqui dentro que havia esquecido que ela existia.

Não tenho do que reclamar dos nossos momentos de paz barulhenta, sentados na porta do prédio conversando sobre um nada que pra nós sempre foi tudo. Acho que no fim nunca conheci pessoas tão diferentemente iguais a mim. Reconheci em cada um pedaços do meu reflexo.

Mas é isso, estradas vão nos separar. E responsabilidades, amores, solidões. Esse ano, apesar de complicado e desafiador, foi o melhor ano da minha vida. E eu só tenho que agradecer a vocês, meus novos/velhos amigos, por terem me dado a oportunidade de pegar um canto na sala de aula pra aprender mais sobre a vida. Obrigado por terem me feito rir, chorar, gritar, pular na chuva, cantar. Obrigado por terem me feito valorizar o efeito de uma música cantada por muitas vozes, obrigado por terem me feito entender mais sobre sorrisos. Vocês que fizeram meu 2011 valer a pena, não eu.

Vai ser difícil acordar todas as manhãs sabendo que não vou vê-los, e me desculpem pela dramaticidade do texto. Todo mundo já conhece esse meu lado mesmo.

Saudades antecipadas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vitral

Acho que cansei de fingir ser algo que não sou. Cansei de fingir que sou inteira, que sou alguém em quem se espelhar. Cansei de fingir que sei demais, cansei  de felicidade em demasia. Sou tão normal quanto anormal, sou bem menos do que digo e bem mais do que faço. Sou pedaços, pedaços que se espelham ao tempo, se faz chuva ou sol, minha personalidade está nas gotas e nas lágrimas que caem dos céus lá fora.

Não sou desapegada. NÃO SOU. Esse sorriso é o reflexo da dor que as pessoas me deixaram, passando pela minha rua mal iluminada. Sou tão pedaços que cada pedaço de pessoa que passa na minha vida fica por aqui, compondo esse vitral colorido que é meu pseudo-inteiro. Aquele moço que sorriu pra mim na rua construiu parte da minha gentileza, aquele rapaz que beijei em uma noite de inverno construiu pedaço da minha cautela. Sou apegada, sim, a coisas pequenas, a coisas carnais, principalmente por que tudo em mim é sentimento, e, se isso te assusta,  você não está preparado para estar na minha vida.

Não sou forte, não sou fria. Sou espontânea, e carinhosa, e me magôo com facilidade. Me desculpe por ser tão desestruturada. Mas aceito desafios, pois sei lidar com meus limites. Se eu sou um desafio por que você tem medo de destruir meu castelo, você é um desafio pois tenho medo de ter que pedir empréstimo para reconstruí-lo. Mas tudo na vida passa, e você já passou por aqui mesmo, não custa muito ficar mais um tempo pra vermos onde essa baboseira vai dar. Não me subestime por sentir demais. Talvez  o que falta na sua vida sejam os meus pedaços coloridos.

Um porre em sua homenagem

Shot, copo, garrafa. Tequila, Cerveja, Vinho. Banheiros desconhecidos, cigarros mofados, noites escurecidas, estranhos atrapalhados. One, two, three, floor.
Pernas cambaleantes, lençóis amassados, cabelos bagunçados, duvidas incrustradas.
Onde ele está? Shot. Com quem ele está? Shot. Será? Shot. Babaca! Dois shots. Meio fio...
A madrugada vira dia, táxi por favor, me leva pra minha casa. Onde é a sua casa?
Casa? Não sei... Bêbado não tem casa, não tem dono, não tem honra.
Bêbado só tem lembrança, bêbado só tem fotografia.
Bêbado não tem nada.
Shot.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Louca tempestade

Minhas paredes estão se dissolvendo em um mar gosmento de emoções não identificadas. Parece que tudo que me disseram, tudo que foi previsto em um sonho cheio de simbolismo nada agradável está acontecendo. Coincidência ou apenas destino? Não sei se ainda acredito em destino. Nós dois sentados lado a lado ontem, foi destino? A forma como você se inclinou em minha direção, e pela primeira vez, fui capaz de desviar meus lábios dos seus, foi destino? Você acredita que fomos predestinados a esses 14 meses, e que agora tudo está no passado, nada mais e nada menos que lembranças obrigatórias de momentos que faria quase tudo para esquecer? Eu não consigo mais acreditar em coincidências. Algo me levou a ele e essa semelhança entre vocês dois me deixa enjoada, não pode ser coincidência. É só um fato. Vocês são dois lados de uma folha em branco. Não há nada para ler, ou sou eu quem não enxerga as letras miúdas desse mistério?

Meu problema, eu gosto de desvendar as coisas. Gosto de pensar. Pensar me é mais útil que dormir, por isso as noites em claro e a convivência com pessoas que tem capacidade de me tirar o sono. Qual a graça na simplicidade? Qual a graça em quem só diz o que quer, só diz a verdade? E será que vocês dizem mesmo a verdade, e eu que a entendo como algo a ser desvendado? Os olhos são a melhor parte. Os seus olhos são nublados, e eu adoro uma boa tempestade. Barulho, tormento, destruição e calmaria. A tempestade é a antítese que eu mais gosto.

Enfim, você se foi e ele ficou, ficou na sala, mas não sentou no sofá. Está beirando a porta, e estou com medo de ter que dormir sozinha essa noite. A tempestade está longe da calmaria, e eu vejo os raios refletirem nos olhos dele, muito mais belos lá que quando vistos pela janela.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Surreal

Quando acordei ontem de madrugada, após sonhos perturbadores, a primeira coisa que pensei em fazer foi te ligar. Dizem que a coisa mais insuportável do mundo é a intimidade, mas nunca desejei-a tanto. Queria te acordar, perguntar como você estava, se estava bem aconchegado em suas cobertas e não correndo riscos. Foi surreal, acordar naquele quarto escuro preocupada com você por causa de um pesadelo. Quando não te vi, na hora que deveria, fiquei ainda mais assustada: “Talvez algo tenha acontecido, e fui avisada para impedir. Não fiz nada.”

Você estava bem. Mas meu coração demorou para desabrochar do aperto que me deu quando abri os olhos. Até seis da manha éramos só eu, meu quarto e pessoas me acalmando em dígitos frios. A Internet também é insuportável, quando o que mais se quer é um abraço.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sem coração

Dói. Está doendo mais do que o necessário... está doendo mais do que é saudável. Essa foi a impressão que te passei, então a culpa é minha. Reverter situações que nós mesmos criamos é difícil demais. Tá difícil demais. 1,2,3. É mais do que eu precisava pra um romance só.

Nós nos deitamos pra olhar a chuva cair. Não sei se o tempo reflete meu humor, ou se o meu humor reflete o tempo. Só sei que, dentro de mim, uma tempestade cai. Orgulhosa ventania, encobrindo o sol que um dia foi o meu sorriso. Você vai embora, e leva junto todo o meu conforto. Você, e mais outros 2, que mexem com a minha cabeça. Você sente, o tanto que meus olhos te procuram no meio da multidão? É desesperador.

Deixe-me contar um segredo. Segredo que não é secreto, está escrito aqui em tantas linhas marcadas por lagrimas imaginárias. Eu sinto. Eu sinto, e sinto muito, muito mais do que meu rosto, e minhas inconseqüências, e meus alcoolismos demonstram. Eu sinto vontade de te abraçar, e de pegar sua mão. Como hoje, no meio daquele circulo, quando sua mão pousou na minha no joelho dela. Dramática, eu? 

Realista. Odiosa. Talvez extremista. Mas não dramática. Sou pessimista. Enxerguei-nos com pessimismo desde quando, em agosto, depois de minhas férias tediosas, me falaram que nós faríamos um casal perfeito. É, me falaram isso, acredita? Falaram que os desapegados se unem em prol da liberdade. Botava fé de que isso não existe em mim. Meu desapego é um muro de proteção, com 10 fechaduras e alguns cacos de vidro no topo. Mas é só um pouco de atenção, e ele cai, virando farelo e voando no vento da tempestade.

Inacreditável não é?  O fato de eu ter me apaixonado de novo por alguém como ele, como você. E dar a mão pra ela é a prova de que meu sentimento te faz cego. Nada do que falo, do que demonstro, é o suficiente pra você enxergar a verdade. 

Outro segredo? Quando me apaixono, sonho com a pessoa todos os dias. Faz duas semanas que em meu diário narro sonhos sobre você e eu. Na maioria, pesadelos, espelhos da realidade diante meus olhos. No ultimo, nos afogamos na enxurrada. Por isso a chuva dos últimos dias tem me alarmado tanto. Vem tormento por ai.

Preferia não ser supersticiosa, mas a vida me mostrou que lá fora há muito mais do que podemos enxergar.  Até dois anos atrás, não acreditava em paixão, em amor... em coração partido. Até sentir o meu quebrar. E doeu, como está doendo agora. Me apaixonei muito mais nos últimos dois anos do que na minha vida inteira.

Na verdade, esse texto não tem objetivo, por que não tenho conclusão para essa história. Não consigo desistir, não consigo me conter. Apenas imploro. Tente enxergar através do meu muro. Tente enxergar, abra seus olhos, para que eu possa olhar dentro deles e dizer o que eu tenho pra dizer. Caso eu tenha coragem. Como no momento não a tenho, digo adeus por aqui.

Espero que você tenha uma boa noite.
Sem coração,
Camile.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Outro planeta

Quero esquecer tudo que me lembra você.  Desde a pilastra de algumas igrejas até o banco de certas praças. Quero esquecer das rotas que seguimos de madrugada pelas ruas vazias da cidade, de mãos dadas, sem preocupações com a hora de chegar em casa. Quero esquecer as trilhas no parque, quero esquecer das cachoeiras e das brincadeiras no balanço. Quero esquecer sua bebida favorita, quero esquecer das bandas que temos em comum (uma das partes mais difíceis, por sinal). Quero esquecer da rua que tem atrás do supermercado e em frente à farmácia, onde brigamos debaixo de uma chuva tremenda por um beijo. Quero esquecer da casa de shows, quero esquecer da praça em frente a casa de shows, e do coreto onde chorei descontroladamente em frente a punks desconhecidos que ficaram com dó de mim. Quero esquecer da grama do parque redondo. Quero esquecer do quanto gosto da sua família, quero esquecer seu endereço, seu telefone, seu rosto.

Não quero esquecer por que ainda te amo. Muito pelo contrário, quero esquecer o quanto dói um dia ter amado alguém como você. Parece que você é diferente com cada pessoa que conhece. Comigo você foi a melhor e a pior coisa dos últimos 2 anos. É bom lembrar de tudo isso, e ao mesmo tempo, dói demais. Dói saber que não faço mais questão de te ver, e dói saber que já fiz de tudo pra sair de casa só pela expectativa de estar perto de você. Acho que o que eu te disse foi MUITO  POUCO perto do que eu te escrevi. As vezes digo “Sabe o que eu tinha vontade? De imprimir tudo que escrevi e mandar pra casa dele. Pra ele ter uma pequena noção do que foi esse muito”.

Nem sei quantas palavras já tracei com o seu nome subtendido. Sério mesmo. Foram tantos textos embolados em folhas de caderno, no computador. Já escrevi até no guardanapo do McDonalds. Você e meus pensamentos estão perdidos juntos em tantos cantos dessa cidade. Em papel, em memória, em pedra.

Quero esquecer tudo que me lembra você. Fiz faxina no quarto e joguei 2 cadernos fora, alguns ingressos de show, algumas bobeiras que guardei. Joguei fora metade do meu guarda roupa, a outra metade eu doei. Alguns CD`s também foram pro lixo. Exilei algumas roupas de cama, doei um perfume. Escondi alguns livros. Não sei se vai adiantar.

Acho que vou ter que me acostumar com a idéia de que, pra te esquecer, vou ter que mudar de planeta.
Acho que vou ter que me acostumar com a idéia de que você vai estar aqui pra sempre. No meu subconsciente. Uma memória de um erro. Um alerta.

domingo, 20 de novembro de 2011

O que eu quero.

Eu quero uma TV a cabo com Tele Cine, quero o novo livro do Gabito Nunes, quero um Ipod de 16GB, quero um pote de sorvete de passas ao rum e um pote de 600ml de calda de chocolate, quero um litro de cachaça da roça, quero um maço de cigarros e quero você de volta. Quero você, você, você, e quero fugir dessas armadilhas e dessas intrigas que eu arranjei pra nós dois, sem querer, apenas botando em prática meu talento de destruir tudo que encosto. Quero você com a consciência de que você não quer ninguém, além de você mesmo. Quero você com a consciência de que não sou só eu quem quer. Quero poder dizer o que eu quero, quero poder querer.

Nem sempre tudo dá certo, na verdade, quase nunca dá. Mas eu queria um domingo acompanhada e quem sabe, um sessão de cinema promiscua. Quero horas deitada olhando pro teto, e quero a sua voz, e quero o seu corpo, e quero, quero. PORRA, EU TE QUERO.

Mas o melhor (pior), eu quero você, sabendo que você não pode me dar o que eu realmente quero: Ser correspondida

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

I'm lost, ok?

Eu sei que tinha uma porta aberta. Ando deixando muitas por ai, talvez escancaradas para pessoas que não merecem. Mas a tua porta era muito convidativa. Recusei-me a fechar, e quando tu passou por ela, eu não soube lidar muito bem com a situação. O que não é pra ser, não será. Mas foi, não foi? E não era pra ser.

Bati tua porta. Bati e a tranquei com sete chaves, mandei esconder cada uma em um estado diferente e me encolhi no canto da sala. Não estou sabendo lidar com isso. Contigo e com essa tua lábia descomunal. Agora eu entendo tudo. Não tem como não enlouquecer, como não ser tomado. É arriscado demais, e isso faz de toda a situação muito mais interessante.  Promiscuamente interessante.

Acho que no fundo, nós achávamos que realmente seria só isso. Algo promiscuamente interessante de se provar. Nós, infelizmente ou felizmente, somos parecidos demais. Desapego é nosso lema, medo é nosso limite. Não sou de me entregar as coisas, mas algo em ti me puxou para o fundo quando pulei com dois pés nesse interesse. Tu nem colocou o dedo direito, pra ver se a água tava fria ou quente. Não estou reclamando, eu SABIA como iam ser as coisas. Sou intensa demais pra insensatez. Às vezes eu penso tanto no que vou fazer, que tudo embaralha e eu perco o controle.

Sempre digo que não estou perdida. Pois bem, estou aqui revelando minha hipocrisia e confessando. Estou perdida dentro de mim mesma, nesse momento. Alguém tem um mapa?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Teto de vidro

Ando olhando para os lados a procura de um rumo inteligente para minha fuga, mas me vejo presa entre quatro paredes conspiratórias. O teto é de vidro, e tenho uma janela de barras acinzentadas que permite a entrada de um ar azedo, carregado de podridão. Daqui consigo ver o céu, azul sangue, com cheiro de morte e mentira. Não há vestígio de chuva em meu céu, para limpar nossos pequenos pecados íntimos, tão humanos e supérfluos. Não há esperança para os semi-mortos que apodrecem a minha volta. Fui deixada para trás.

Ouço passos fracos em minha mente. A verdade procura saída. Fecho minha boca até trincar os dentes. Não posso admitir que estou sentindo essas palavras, pois é obscuro e infeliz. Tranquei-as. Medo. Não vejo coragem no caminho da minha visão limitada, não vejo pôr-do-sol.  Vejo uma cruz, um túmulo e uma lágrima vermelha, que escorre na face branca, entre os soluços da minha consciência.

Estou tão presa dentro de mim mesma que tenho vontade de gritar. Não entendo os motivos do meu desespero. Não vejo motivo existente, tanto que conclui que sofro por falta de motivo. Sofro por tédio, por solidão.

Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra. Atirei tantas que estou esperando meu teto despencar, atacado aos pedregulhos de julgamentos mal feitos. Guarde sua mão, não tente me ajudar.Tenho medo que te aceitando aqui, te tranque comigo nesse purgatório sem saída. Me deixe em paz.

Por entre as barras de ferro vejo uma rosa, e ela tem mais espinhos que pétalas. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Confissões

Quatro da manhã. Às vezes me dói ver que tomo para mim coisas que são desnecessárias. Me dói ver que um palavra ou duas mudam o rumo de um dia que tinha tudo para ter sido genial. Tenho pouco controle das minhas palavras e, às vezes, me envolvo demais com o problema alheio. Não por que não tenho os meus, mas simplesmente pelo fato de me sentir no meio do fogo cruzado.

Está fazendo frio, e o sono parece mais distante que o horizonte. Quero fugir, de uma forma ou de outra. No fim, estou fazendo tudo errado. Está errado até pra mim e minha incontinência verbal, o que não é muito fácil.

Acho que estou sentindo falta de um abraço. Essa falta está me amargurando tremendamente. Abraço por abraço, beijo por beijo, mente por mente. O mal da solidão está me corroendo em pedaços pequenos e frágeis, que aos poucos se quebram em outros menores, e tenho medo de chegar a ser pó.
Confuso, confusão. Me de sua mão e me puxe de volta para cima. Tenho me escondido atrás de poucos momentos de felicidade, atrás de um som de corda, atrás de vozes unificadas. Tenho me agarrado a pequenos flashes de alegria, esperando não cair, onde, eu acho, é inevitável. Como gostaria que não fosse. Quero permanecer assim, nesse estado de diversão finda e alerta. Preciso permanecer assim para não me perder.

E o medo de o perder? Como é ter medo de perder algo que nunca se teve? Não é a primeira vez que isso acontece. Essa sensação de vazio. A verdade, nua, crua e feia, é que sou mais fraca do que demonstro ser. Sou mais fraca que essa carcaça imprevisível e essas feições expressivas. Sou mais fraca, mais emocional e mais dependente do que gostaria, do que faz bem.  Tenho essa mania de tentar consertar o que não me pertence, mesmo sabendo que não sou forte o bastante nem para me consertar.

As vezes sinto a necessidade de voltar atrás. De me arrepender. Só que sei que, no fundo, não consigo me arrepender do que faço, por que minha impulsividade não é verídica, e tenho até a mania de pensar demais.
Sinto falta de mim, no fim. Acho que mudei demais de uns tempos pra cá, e a verdade me dói como um tapa na cara.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sem ser casa.

Rostos sorridentes, pulos, lágrimas, fim. No meio da multidão, uma falha. Dissimulada, introspectiva. O sorriso não chega aos olhos, que também não brilham. São frios e opacos, em reflexão ao dia quente e expressivo. Estão secos, desobedientes. Ela gostaria de sentir, mas sentir está longe de ser uma possibilidade. Ela gostaria, mas não se permite. No passado, sentir foi uma espécie de facada. Certeira, mortal.

Ela olhou para os lados, a procura de apoio. Olhou para os lados a procura de um abraço sincero. Na verdade até os encontrou, mas não nos braços que gostaria. Nem tudo é como a gente sonha.
Acendeu um cigarro. A brisa bagunçava os cabelos, e os segundos passavam devagar, em contraste com os carros acelerados na avenida. Coloridos, brilhantes. A fumaça dançava em volta do sol, e a beleza generalizada era, na verdade, triste. Quando tudo está muito alegre, é monótono, por que em algum lugar do mundo alguém chora.

Queria ir embora, pra qualquer lugar, embora pra algum lugar que não fosse casa, que não fosse concreto, que não fosse prisão. Fugir, pra qualquer lugar, com a chama de uma vela e um violão. Com uma garrafa de vinho e umas roupas velhas pra improvisar. Um lugar onde o céu tivesse mais estrelas, sem ser daquelas que a gente liga na tomada. Um lugar onde, durante a noite, se escuta o silêncio mesmo quando há barulho.
Mas o bucolismo lhe escapou, e a cidade lhe encheu os ouvidos com uma buzina. Falsidade, fumaça, fim.

Havia acabado, finalmente, sem nem ter tido a oportunidade de começar. Desilusão, divisão, apreensão.

Força.

domingo, 23 de outubro de 2011

28hrs

Calor e repressão na madrugada. Esclarecimento. Rostos tristes, nenhum sorriso a vista, como queria um, pra reeducar meus músculos. O tempo passa. Letras, letras, letras, números. Frio, chuva fina e sonora, o telhado recua. A nitidez das palavras no quadro incomodam, 5,4,3 horas, falta quanto? Falta muito, falta o seu1 futuro. Falta a sua ausência. Ônibus lotado, sacode. Direita, esquerda. Plin, cabelo encharcado chicoteando o pescoço. Ossos de metal, chuveiro. Roupa de cetim, táxi não dividido. Linhas verticais, horizontais, coloridas. Violão sem corda, um baixo. O som invade o sono, invade os ouvidos com seu gosto de saudade. Telefone ocupado, linha muda, aconchego. Banco de trás do carro, visão embaçada. Cheiro. Café, gentileza urbana esquisita. Biscoito de polvilho. Cama, dia, madrugada. Vento.
Inconsciência. 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Review



Ando numa antítese sentimental  fora do comum. É frio e quente ao mesmo tempo.  Tenso e monótono. Tenho lidado com situações inconvenientes, tenho feito coisas que nunca imaginei fazer. Atirei-me em um poço sem fundo aparente, e estou com medo de encontrar ossos do passado ao longo do caminho escuro, assombrações para minhas novas escolhas. Péssimas escolhas, no final das contas.

O problema é que, por mais fora do comum que meu presente pareça, é tão desafiador que não consigo deixar a idéia embaçada do que o futuro pode me reservar de lado, caso eu continue nesse rumo. Estou dirigindo na neblina, esperando encontrar abrigo, quando está claro que não há nada a quilômetros. Fico o procurando com os olhos, incomodamente, sem conseguir prestar atenção no que me dizem. Parece precipitação, mas não consigo pensar em nada. Não é sentimental, nem coisa bonita, é simplesmente uma sina. Desafiadora e cruel.

Pecadora. Me olho no espelho com a impressão de não me reconhecer. O rosto que sei, é meu, me encara com olhos de repudia. Que rumo tomei na estrada, se não o do abismo? Ele está lá, tão próximo e ao mesmo tempo tão distante. Está lá, outra mercadoria danificada e contraditória para a minha coleção de almas perdidas e enganadas, não pelos outros, mas por si mesmas.  Acho que me identifico com olhos opacos. Os meus estão limpando a alma de dentro pra fora, coisa que já não faziam a muito tempo, brilhando em uma tristeza colossal.

Atitudes são um disperdício. É proibido tentar, mas deixar pra trás me parece tão fora de questão. Laços estão sendo cortados em uma história sem inicio nem fim, cheia de pessoas no meio. Só quero um dia de chuva pesada, e ainda me recordo do vestido preto molhado e do pé quebrado. Passado e futuro se encontram em uma linha tênue. É apenas uma repetição, como rebobinar uma fita quebrada.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sacrificio

Não percebi o que estava acontecendo até ontem, quando noticias dele, que deveriam me levar ao poço, me fizeram rir. Por que o esqueci? Tenho medo de que essa idéia louca seja verdade, e você seja mesmo um dos meus motivos rudes para esquecê-lo. Mas pra que sair de um poço para mergulhar em outro?
Esse teu olhar é sacrifício, essa tua boca é impossível, teu corpo é proibido, com um ar de sonho e desespero. Não sei das tuas intenções, mas apenar te olhar me da vontade de correr pra longe de você, só pra não correr pra perto. E você sorri, e provoca, e pega, e o simples toque me faz pensar num to que a mais, ousado, ofegante. Acho melhor você parar com isso, por que meu descontrole está no limite da ausência.
Quando você menos esperar, ele ataca.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ressurreição

2011 está passando rápido, numa inversão de situações sem estações definidas. O frio na hora errada, o calor também, com as horas passando em segundos apressados. Ainda ontem só enxergava o breu, e via a melancolia tomar conta dos meus membros como uma alienígena, parasitando meus pensamentos e sufocando minha respiração. Hoje é como se o nublado transitório do céu tivesse se transformado em um sol forte de verão, que ao se pôr deixa o céu com gosto de laranja.

Tenho uma novidade: Eu estou bem. Estou bem comigo, com os meus amigos, com a minha família. Olho-me no espelho e me vejo definida, sem a névoa incomoda que antes dominava meus olhos. Talvez tenha em meu rosto algumas linhas de cansaço que não esperava, talvez eu esteja com um pouco menos de vida nos cabelos, mas estou viva. Aquela tempestade que estava ameaçando castigar meu céu não caiu, e eu sofri por antecipação, o que talvez seja pior que o sofrimento em si, quando vem.

As coisas mudaram, eu aprendi tanto nos últimos meses que eles pareceram uma vida toda. Aprendi que supervalorizar o que não é recíproco é besteira, mas que amor não é supérfluo, apesar da situação ter sido. Ah, o amor, às vezes penso nele como a maldição do mundo, até lembrar de alguns sorrisos. 2011 me fez sorrir por amor em seus poucos segundos, e a memória do sorriso não me deixa triste por ele estar no passado. Agora estou sozinha, sim, mas sorrir continua fácil, e esquecer também se tornou menos desgastante. A idéia de solidão não me assusta, não nubla meu céu agora claro. A solidão tem me aberto um leque de possibilidades, enquanto me abraça e me tranqüiliza. Não é impossível ser feliz sozinho, só é difícil.

Tenho ar nos meus pulmões, um céu aberto e uma pilha de palavras. Não espero o fim do mundo para 2012. Estou recriando meu universo com um calor que eu não conhecia, e esse novo planeta não vai ser destruído, apesar dos sofrimentos que possam vir. Meus segundos vão voltar ao seu tempo, e o ar fresco vai reviver esse corpo que vi morrer aos poucos no espelho. Eu estou otimista, com uma caneta na mão, e ainda tenho muito o que escrever.

sábado, 10 de setembro de 2011

Impulso

Não consigo te ver andando, assim, pra longe de mim. É confuso. Um dia você me quer, no outro não. O que aconteceu, está sóbrio demais ou enjoou? Tua mão, balançando assim, na minha direção. Tua mão na minha. 
Você não sabe o que deixa escapar de vez em quando. Deveria cuidar o que fala. Te incomoda quando falo deles? Você me disse que não sentia ciúme de mim. Pois bem, eu sinto de ti. Esse plano de te esquecer ta acabando com as minhas esperanças de concretizar algo na vida. Por que você está ali, e eu aqui, e não estamos juntos, nem separados.
Acho que no fim estamos nos deixando de lado, aos poucos. Eu te quero, mas aquele impulso de te pegar pelo pescoço e te fazer me beijar a boca está passando. Aquele impulso incontrolável de pele, aquele negócio inexplicável que eu sentia com um simples abraço.
Te afasta. Por favor. Te afasta de mim, por que eu não quero me afastar de você, apesar do rumo que as coisas estão tomando. Vá embora, e faça o favor de levar contigo toda esse impulsividade que criei com você aqui. Vai embora e leva contigo a dor.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Alivio


Sei lá... é que por algumas horas, com você, eu me senti livre para ser quem eu realmente sou. Me senti bem o bastante para descartar a frieza e a indiferença e simplesmente mostrar que sinto, que gosto de sentir, e estou bem com isso. Me senti bem para sorrir, rir, chorar, confessar coisas que me incomodavam. Me senti confortável para dizer “Ei, essa sou eu, com todos os meus problemas incrustados”, e me senti melhor ainda quando percebi que meus problemas não te assustavam, que minha emotividade não te pôs pra correr, nem minhas sessões de terapia te fizeram achar que eu era uma louca. Você me fez bem. Pode ser que eu nunca mais te veja, mas, independente do que o destino me reserva, por uma noite eu esqueci do mundo, e simplesmente fiquei bem.

E foi um alivio. Como uma boa noite de sono depois de uma semana sem dormir. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Garota do cabelo azul

Ela abriu os olhos pela manhã, esperando que aquele dia demorasse um pouco mais para começar. Mas ele veio à tona, quando o sono foi embora. Olhou para o lado, mas ali só havia a alma dele, e não seu corpo, dentro de um ronco leve. Se levantou e caminhou lentamente até o banheiro. A boca ainda tinha o gosto dela, e o corpo, as marcas dela, e a mente, o rosto. Vestiu a camisa masculina que estava pendurada no banheiro, e ela lhe caiu grande, como um vestido. Como uma manhã pós-sexo. Lavou o rosto, deixando a água pingar nos cabelos descoloridos e na roupa ultrajante. Molhou o tapete. A noite anterior lhe atormentava. Caminhou até a cozinha e encheu uma xícara de café, sem açúcar e com dois pingados de whisky, levando-a para a sacada e acendendo um cigarro. A manhã estava suja de neblina, e a pequena cidade de tijolos parecia uma cidade fantasma. O jornaleiro passava, como nos anos 50, deixando o jornal com cheiro de novo no solado das portas, enquanto apitava aquele apito sem timbre, sem comoção. Uma garota passeava com o cachorro lá embaixo. Ela fechou os olhos.

Beijo, gosto, suor. Sem respirar. Lembrava da noite anterior como lembrava dos traços que se inclinavam no rosto dela. A mecha azul cacheada saindo dos cabelos pretos como petróleo, roçando lentamente no seu rosto, num simples afago. O sussurro, o gemido, a loucura da dúvida. Quem queria o que? Quem não queria? Quem ela queria? A pequena garota dos cabelos azuis ou o homem que, por tantas noites, a acompanhou? Se a garota não queria, então o que queria? Qual foi a motivação para o momento de loucura imposta as duas na noite anterior? E ele, onde estaria, além de morto em sua cama, e vivo na cama daquela que não lhe dá valor?

Ela teve vontade de pegar o telefone e ligar para acordá-la, mas o relógio avisava que, naquela hora, só haviam 3 pessoas acordadas na cidade. Ela, o jornaleiro e a garota do cachorro. Queria acordá-la cantando, dizendo que sentia falta do toque, mas que não sabia o que ele significava. Queria perguntar o que ela queria, pra saber se as coisas estavam mutuas ou desregradas. Queria colocar o celular no viva-voz e tirar o timbre do violão, pra colocá-lo dentro da outra, que ainda sonolenta, ia rir do romantismo exacerbado. A única romântica acordada, só por uma manhã fria, só por uma ilusão.

Por que quando a linha fosse cortada, ela ia caminhar até o quarto, abraçar seu fantasma e tentar dormir de novo, para que mais tarde naquela manhã tudo fosse esquecido, e a garota de cabelo azul fosse só a ponta da folha de um sonho que ela não continuou a ler.

domingo, 21 de agosto de 2011

O meio

Uma noite. Uma noite sem exagero ok? Não se apaixone. Talvez nós não devêssemos fazer isso.

Ok. Mas aqui está confortável. Tá vendo, o dia está raiando. Aqui está bom, fazia tempo que eu não me sentia bem, assim.(É, só me abrace.Eu podia passar mais três dias inteiros aqui, dentro desse abraço. É, por que é sincero.) Eu sei, não esperar nada. Vou ficar calada.

Não é calar, é não ter expectativa.

Difícil não ter expectativa.

Não tenha.

Mas quando você sair por aquela porta eu vou pensar “E se”.

E se o que?

(E se eu segurar o seu braço e disser "fica", você fica? Se eu segurar tua nuca e disser "beija", você beija? Não, não posso dizer isso.)

O que te faz querer me beijar?

Você me faz querer te beijar.

O que é um beijo pra você?

Um beijo é só um beijo.

É o meio, eu estou entre o beijo e o arrependimento.

Eu estou de um lado, você está do outro.

Então, por que você não me beija?

Por que o meio não é o bastante.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

GPS

Hoje o cheiro de grama cortada tá invadindo a casa, pela janela escancarada. A lua tá linda, o calor tá insuportável, mas não tão insuportável quanto essa sensação. Eu nunca achei que ia sentir falta de um abraço, mas ai está. O apartamento nunca pareceu tão vazio, tão silencioso, tão inabitável. Parece que ele respira por companhia, assim como eu.

Não sei o que aconteceu comigo, com a gente, mas eu sinto falta de respirar em conjunto. Não é uma falta especifica, não é alguém especifico. É alguém. Tantas pessoas mudaram de opinião sobre mim que já não sei mais quem sou. Não consigo lembrar da última vez que deitei sabendo que teria um SMS de bom dia no meu celular, quando o despertador tocasse. Eu não consigo mais ficar sem esses beijos de despedida, sem aqueles domingos no parque. Eu estou sozinha, e isso é uma droga.

Nunca pensei que sentiria falta dessas coisas bobas. Coisas que menosprezei por tanto tempo, mas estar sozinha me fez pensar. Não quero mais essa futilidade, essa poligamia obrigada. Quem eu estava tentando enganar? Eu preciso de um sorriso que diga “Eu te amo”. Só. Um sorriso. É demais pedir um sorriso? EU já dei tantos sorrisos pra quem não merecia. Eu não mereço, mas sorria pra mim?

A vida me mostrou que é sim, possível, ser feliz sozinha. O negócio é que eu não quero ficar sozinha. Eu não quero ficar esperando uma ligação que não vai acontecer. Não quero ficar sentada no chão olhando fotos de um passado que não vai se repetir. Não quero mais sentir uma falta irreal de alguém que não lembra o meu nome. Nunca imaginei que pudesse me sentir assim, com nomes travados na garganta. Eu quero esquecer o passado, quero rasgar as fotos. Quero novidade, quero um futuro. Por que parece tão difícil? Tão impossível um futuro de abraço, beijo, e bom dias animados? Queria tanto mudar de idéia e ir viver minha vida.

Dizem que quanto mais você procura por amor, menos você acha. Mas eu acho que esse amor, que deveria me achar sem a minha procura, perdeu o GPS.

domingo, 14 de agosto de 2011

Ilusão, Revolta e Sazonalidade

Eu achei que estivesse sozinha. Ok, não sozinha, mas que não existissem muitos como eu. Pessoas que acreditam no melhor, que preferem se enganar, que amam. Bom, ai está uma impressão errada que eu tive do mundo. Existem muitos como eu. O negócio é que esses muitos não duram mais de 20 anos, 25 no máximo. Vem a ilusão, enfia uma faca no peito da gente,e o otimismo cai morto, aos pés dos que o carregavam

Sei, é uma droga pensar que as pessoas deixam de ser felizes por causa de seus iguais, mas eu nunca disse que a vida era justa. Uma verdade pra você estampar na testa: SE APAIXONAR É UMA DROGA. É uma droga quando se está longe, é uma droga quando acaba, é uma droga quando um dos dois mente. É uma verdadeira droga, uma merda, um poço de angustia e perdição, é um maço inteiro de cigarro, é um garrafa de tequila. Se apaixonar é um inferno, uma crença indesejável, um papelão, uma pagação de mico, um coice no estomago. Ninguém quer se apaixonar, tá todo mundo criando barreiras invisíveis em volta desses corações frágeis que mamãe criou. Mas meu querido, eu sinto muito.

VOCÊ VAI SE APAIXONAR. É um questão emocional, hormonal, espiritual, sazonal, temporal, sei lá o que, mas você vai. Você vai andar de mãos dadas no parque, vai deixar bilhetinho apaixonado na porta da geladeira, vai fazer jantar de dia dos namorados. Vai fazer carinho enquanto vê filme, vai tomar banho junto (se tiver sorte), vai dormir agarradinho. É a vida. Até gente feia encontra gente feia e ama uma vez na vida – por que se você acha que gente feia não ama, vai tomar no cu, por que hoje eu não to pra brincadeira. E mesmo que o seu amor não tenha tudo isso, ele vai acontecer. Amor não correspondido, mal fadado, inquestionável, traiçoeiro e sei lá mais o que. Você vai querer se matar, vai sentir ódio até da folha que caiu da árvore no inverno, por que a maldita é tão bonita e vai te fazer lembrar que você queria passar a primavera com ele/ela, só pra ver tudo nascer de novo.

Mas quer saber? Vale a pena. Vale a pena a sensação de, por alguns segundos, se sentir feliz por que aquela pessoa te deu um oi no MSN, te deu um sorriso na rua, te mandou um sms. Vale a pena escutar uma música que te lembra a pessoa e, mesmo que você não tenha experimentado estar com essa pessoa, saber que enquanto a música toca e você pensa nela, alguma coisa no fundo do seu peito acordou, levantou e deu olá. Você precisa desse olá. Amor completa, amor engana, amor. Bom, amor é amor, sazonal ou não, hormonal ou não. E eu tenho dó de quem morre sem sentir isso, por que é completo. Mesmo que por um segundo, você se sente completo. E um segundo inteiro é melhor que uma vida inteira aos pedaços.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Saudade


Eu abri a porta e seus olhos castanhos me encararam, com uma simples indagação: “O que está acontecendo?”. Eu realmente queria responder, mas as palavras se recusavam a repuxar as cordas vocais, e os soluços começavam novamente. Nada, não estou fazendo nada. Não estou dormindo direito, comendo direito, estudando direito, vivendo direito. É isso, o que não estou fazendo, por que ele está longe, e não é meu. Ela me envolveu em seus braços: “É saudade?”

É, é sempre a saudade.

domingo, 7 de agosto de 2011

Tá Foda

Fala comigo. Fala comigo dessa tua dúvida enrustida, dessas tuas palavras tortas, desses teus toques escondidos. Fala comigo, pra ver se a gente se entende, pra ver se dá pra frente, essa história de não quero ficar contigo. Vem, senta aqui do meu lado, eu quero te dizer um negócio. Não sei o que quero, mesmo. Tem um monte de gente no mundo, e ultimamente eu to meio nada com nada, tudo com tudo, com todo mundo. Eu to atirando pra matar, eu to cansada. To cansada de não amar ninguém e ao mesmo tempo amar todo mundo. Eu quero alguém pra mim, pra me fazer feliz, e se deixar ser junto. Eu sei, ta foda, essa secretária eletrônica sempre vazia, essa campainha que chora mas não toca. Ta foda rodar nessa cidade luz, sem destino, pelos bares e praças, pelas esquinas, procurando não sei o que, não sei pra quem, nem pra onde. Eu tenho vontade de ti. Desse aperto todo que é ta junto... mas não sei se é tu quem eu quero. Ta foda, simplesmente.

Me da um shot disso ai e fala comigo. Fala comigo pra ver se a gente junta esse bocado de frustração pra construir um pouco de amor. Só por hoje. Ou por outras noites mais.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Mercadoria danificada

Eu sei, somos mercadoria danificada. Aquele tipo que alguém pegou pra olhar na loja, não gostou, deixou cair e, com medo da vendedora ver, pegou do chão e deixou exposto na prateleira. Rachado, quebrado, vazio. Eu sei metade da tua história. Tu não sabes nem o começo da minha. Mas existem os olhos. Dá pra ver, tanto nos meus quanto nos teus, o sofrimento que nos impuseram, ou, se duvidar, nós nos impusemos. Não que tenhamos nos jogado da prateleira. Mas às vezes somos tão escorregadios que não é tanto culpa de quem olhou e não gostou. A culpa é nossa.

E está todo mundo dizendo pra ficarmos juntos. Acha que vale a pena? Sabe, descermos o pezinho desse pedestal incomodo pra tentar ser feliz? Eu não te conheço. Eu nunca realmente conversei contigo, e não sei o que conversaríamos se fossemos obrigados a passar algumas horas trancados num recinto. Eu e tu. Acho conversa essencial.

Ai quando tinha tirado a idéia da cabeça, vem as boquinhas descontroladas falando que, se eu te conhecesse, ia me apaixonar pela pessoa que está ai dentro. Mas e a que está do lado de fora? Ela também é parte de ti. Como conviver com uma sem conviver com a outra?

Estás com dúvida? Pois bem, não é como se eu estivesse super tranqüila com isso tudo. E to meio em slow motion ultimamente, sem muita habilidade pra raciocinar. Normalmente não tenho dúvidas sobre o que eu quero. Te dizer que tenho medo da sua escolha por que eu realmente queria aquela uma noite de experiência. Mas e se acabar não sendo uma noite só? Será que eu te daria valor? E será que me darias valor?

Eu tenho um problema. Acho que trabalhei na carrocinha em outra vida, e matar cachorrinhos veio como carma pra essa daqui. Não, não estou te chamando de cachorro. Até por que, isso vindo de mim, é um elogio. O que estou querendo dizer é que tenho mania de resgate. Essa mania de querer fazer todo mundo feliz, tirar todo mundo do poço. E me inconformo quando não consigo. Eu sei, não sou Deus, e nem tenho certeza de que alguém é, porém, o que quero dizer é que és o tipo de gente sofrida que eu não daria conta de abandonar, não por que sofreu, mas por que gosto de quem tem experiência o bastante pra conseguir ver o que outros não podem ver. Eu não te abandonaria por que também sofri, e vejo o valor que deves ter, e que ninguém até agora quis ver. E agora, o que fazer com essa afirmação?

Enfim, enquanto tu estas ai, sentado ao meu lado, me dando esses olhares de esguelha, eu estou aqui, projetando um texto na minha cabeça que talvez tu nunca irás ler. Mas vale a tentativa. Escrever me ajuda a sair do slow motion. É isso, sabe. Eu posso tentar te fazer feliz, mas estou tão relutante, ou até mais, que tu. Eles estão falando demais, não estão? Coloca todo mundo no mute e pensa no que quer. Se não quiser, ok. Se quiser, vamos lá. Eu to te apontando um porto seguro, só basta saber se vai querer aportar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

E.R

Não foi tão fácil sabe. Encontrar a ferida. Como você pode querer a cura da dor, se não sabe onde dói? Bom, agora eu sei onde dói.

Dói em todo lugar. Dói nas noites de domingo, quando não há o que caçar na televisão. Dói nas manhãs de segunda, quando o cobertor não aquece e entrar no chuveiro parece um massacre programado. Dói na ausência. Não importa onde eu esteja, em casa, na rua, sentada na cadeira dentro da sala de aula, sentada na porta do prédio. Dói quando toca 3 Doors Down na minha lista de reprodução do Itunes. Dói quando nos esbarramos na rua e fingimos que não conhecemos um ao outro, por que é mais fácil quando não se reconhece.

A dor está ai por um motivo. A dor está ai pra mostrar que nos  importamos. Que eu me importo se você passou pro 3º período da faculdade, e se aquele seu trabalho vai mesmo virar artigo praquela revista que você tanto gosta. Que eu me importo com seu gato que fugiu, em como vai a sua irmã, as suas sobrinhas. Que eu me importo com a sua vida. Que preciso saber como você está. Eu me importo com quem você está conversando, transando, wherever, com o que você está fazendo nesse exato momento. No fim, a minha ferida foi ter me importado demais. Minha ferida foi ter te deixado entrar sem pedir a senha, foi ter te deixado passar como um furacão numero 5 na escala Saffir-Simpson, destruindo toda a auto-confiança mínima que eu tinha conseguido criar. Minha ferida foi ter criado alguém pra amar na sua carcaça, sem realmente perguntar se você era aquela pessoa que eu amava.

Está ai, a maldita ferida. Aberta e sangrando. Parece que a ambulância não chega nunca, parece que não haverão suturas boas o bastante pra juntar os cortes que você fez no meu emocional. Não há escape, não a rota de fuga. Não a droga, não a tratamento. A vida está aqui me dizendo que o tempo é um ótimo cirurgião, e que daqui alguns anos vou lembrar disso com risadas histéricas, tipo gás do riso. Que tudo vai cicatrizar.

Mas sabe pra que as cicatrizes servem? Nossas cicatrizes servem pra nos lembrar que o passado foi real. E enquanto eu lembrar que o passado existiu, mesmo curada, cicatrizada, nova em folha, ainda vai existir aquela dor fantasma. A dor que não passa com remédios, que vicia as pessoas em Analgésicos. Aquela dor que nos joga no poço, longe do sol. Dor que faz ter recaída. Dor.



sábado, 23 de julho de 2011

That's me, trying

Se tem uma coisa que eu me orgulho é de ser sincera. Isso não é uma qualidade, dependendo dos olhos de quem vê. Nem é o tipo de coisa que você escreve num perfil de site de relacionamento. Mas eu sou. Não sou a melhor pessoa do mundo, nem a mais bonita, nem a mais carismática. Mas eu sou sincera.
Se me perguntou é por que quer saber. E se quer saber, eu respondo.

Não sou o tipo de amiga que abraça e diz que vai ficar tudo bem, quando sei que não vai. Não sou o tipo que faz besteira e diz que não sabe o motivo. Eu tenho meus motivos. Eles estão listados.
Não posso deixar isso fora de mim. É o que eu sou. E você perguntou. Se eu demorei pra responder? Posso até ter demorado. Mas eu respondi. Agora a bola está no seu campo.
Você pode chutar pra fora. Ou pode fazer um gol.

Não to pedindo nada vindo de você. Na verdade, faz um ano que eu não te peço nada.
Ok, até pedi. Mas como sei que você nunca leu o que eu escrevo, não tem como saber.
Te dizer uma coisa, não foi queima filme. Eu fiz por que precisava fazer, e prender sentimento pra mim é igual tentar domar uma onça com um pedaço de barbante. Impossível. Como conseguir esquecer uma coisa que você não levou até o fim? Eu sou uma garota que finaliza, colega. Me desculpe, caso isso te incomode. Mas eu não mudo por ninguém.

Estou aguardando aquela resposta que ia durar uma semana. Estou aguardando por 4 meses. Pega um pouco do meu jeito e me responde. Você me quer?

That's me, trying.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Desconhecido

Olá, garoto desconhecido. Me dá um pouco desse teu veneno? Garoto sem sobrenome, garoto sem rosto, garoto de palavras. Não que não tenha sobrenome, por que tem, nem que não tenha rosto, por ai ele está, mas garoto de palavras, por que são elas que importam, no fim das contas. Me dá tua mão? Deixa eu te mostrar como podemos ser velhos amigos de uma noite só? Num velho Woodstock, dia mundial do grito, da emoção. Me deixa te levar pra viajar no tempo, meio anos vinte, meio 2ª fase.

Ei, garoto desconhecido, me leva praquele canto escuro, longe dos olhos que de nuvem, nada vêem, e me deixa te desconhecer? Posso te fazer querer lembrar, amanhã pela manhã? Do perfume, do gosto, da alienação? Você vai lembrar da Itália? E do meu telefone? E dessa mão, que segura a minha, como uma ancora nessa noite estranha?

É, garoto, não é fácil esses dias, em que ninguém sabe de ninguém, nem quer saber. Se você quisesse, bom, posso me apresentar. Está ai meu telefone, está ai o meu lugar. A gente sabe um pouco do tudo, mas sabe, com esse teu jeito, até tenho coisa pra te falar.

Garoto desconhecido, quem sabe um dia a gente se conheça, mesmo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Todas as cartas de desamor são ridículas

Te dizer que agora nosso caso deixou de ser porta entreaberta e virou porta fechada. Te falar que pensei que te amava, mas amor, amor, é uma coisa tão longínqua da nossa realidade que, agora, é ridículo pensar que um dia achei que sentia isso por ti. Nosso caso não teve bandeira amarela de Para Sempre no porto, nosso caso não teve beijo na chuva, nosso caso não teve exclusividade, nem cavalo branco, nem palavras Piegas. Nosso caso foi algo material, nas tuas palavras, regado a uns poucos olhares maliciosos e uma bela e exponencial mentira. Paixão, se tu achas que me terá mais uma vez, é engano teu. Quero alguém pra deitar no colo, pra chamar de Amor, pra me dar atenção, sem desviar os olhos pra televisão. Se me teve? Talvez cada partícula do meu corpo estivesse involuntariamente atraída pelo teu. Em mente, em coração. Mas sabe, espírito nunca foi o nosso forte. Principalmente o teu. Eu realmente acho, e não é pretensão, que um dia vai sentir minha falta. Essa falta que sentimos em dias de chuva, quando a lareira teima em não queimar, e o vento ruge na janela. Acho que vai sentir minha falta naquelas tuas noites regadas a um bom vinho e a um romance de terror, por que sabe que nós poderíamos estar deitados no tapete da sala, olhando pro teto de tijolos e pensando no futuro que nos aguardava, juntos, ao invés de estar preso nessa tua solidão introspectiva dentro do teu quarto. Sabe que poderíamos estar rindo e dançando alguma comédia do Los Hermanos, tirando onda de um “Cara estranho” que nós não conhecemos, mas ouvimos falar. Tu sabes que, querendo ou não, mesmo que não se arrependa da escolha que fez, algumas dessas imagens vão te atormentar a mente durante a tranqüilidade do almoço, daqui a uns meses. 

Eu nunca te amei, apesar de ter dito, em algumas mil cartas no meu HD, que te amava sem pensar em mais nada. Amor é tão complexo, mas diz que só se ama uma vez na vida, e se é assim mesmo, não vou permitir que sejas a única pessoa que teve meu coração. Eu te gosto, gosto do teu sorriso, gosto da tua lábia, da tua piada, da tua malicia... gosto de tanta coisa em ti que até me arrepio em pensar que tudo que passamos foi um mero desentendimento. Mas passamos, não passamos? Acho que daqui a alguns anos, andando pela Redenção no frio do inverno gaucho, com uma cuia de chimarrão numa mão, e uma garrafa térmica na outra, vou me lembrar da nossa história e rir um pouco mais de mim mesma. Dessa coisa de “A Outra”, dessa coisa de declaração. Quer saber uma coisa curiosa sobre mim? Adoro uma declaração de amor. Acho que é por isso que sempre acho que amo e não amo. Adoro dizer pros outros o quanto me importo, o quanto quero e o quanto faria para ter o amor que podem me dar na minha mão. Gosto de flores, de sacadas, de serenatas, de balões sobrevoando Paris a luz da lua. Gosto do romantismo exacerbado que foi esquecido pela nossa geração. Sou meio anos 20, entende? Carta, olhar, choque elétrico mortal com toques inesperados.

Sabe de outra coisa? Acho que gosto de sofrer. Por que é habitual, sabe? Estou tão acostumada que tenho medo de não sofrer mais, afinal, o que vai ser do meu vazio sem um sofrimento pra preencher minhas noites de silêncio com alguns soluços?
No fim, paixão, acho que não procurei em ti amor, mas sim sofrimento, uma coisa meio Zelda Fitzgerald, mas sem o manicômio no final. Pelo menos assim espero. Voilà, meu bem. Minha vida continuou.
Vou achar um amor pra erguer a bandeira amarela da quarentena, pra beijar na chuva, pra olhar o nascer do sol de um lugar distante, pra voar num balão em Paris. Vou procurar um amor que seja tão grande que vá ocupar o espaço que reservei em minha alma para sofrer. Tão grande que vai ser maior que tu, eu, e a estupidez que fizemos juntos. Um amor que vai me fazer estupidamente feliz. E se não achar, vou ser estupidamente feliz. Comigo mesma.
Essa foi minha última carta, em nome do meu desamor. Ridícula, é claro. Mas libertadora.


“Todas as cartas de amor são
  Ridículas.
  Não seriam cartas de amor se não fossem
  Ridículas”.

                    Fernando Pessoa

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Irmãos

“Amigos
Muito mais que amigos
Irmãos...Irmãos”

Esse texto é pra algumas pessoinhas que eu amo. Nem sempre elas sabem o valor que tem em minha vida. Não sabem o valor que tem aquele abraço apertado, aquele sorriso maroto, aquela risada inconveniente. Não sabem como é bom saber que tem sempre alguém ali, pra eu ligar de madrugada quando fiz alguma besteira, só pra desabafar e escutar um “Sua idiota, eu disse pra não fazer isso”. Amigo que fala a verdade, sabe, amigo que a gente não quer deixar pra trás. Amigo que pode estar do seu lado sem falar nada que não surge desconforto, por que se sabe que nem sempre palavras podem preencher o silêncio. Às vezes silêncio é confortante. Amigo que ri das piadas que não tem graça, amigo que cuida de você depois da bebedeira, amigo que concorda com a sua mãe e não com você, por que quer o seu melhor. Amigo que deixa a conversa rolar noite adentro, tanto que quando a luz do sol surge, fica assustado. Amigo que manda você estudar, por que sabe que é necessário, e até te ajuda, quando a coisa tá feia e você não entende nada. Amigo que grita de susto com você, e que assusta você. Amigo que sai de casa pra te fazer companhia até a padaria, por que gosta de caminhar ao seu lado. Amigo que da carona até o supermercado, mesmo reclamando um pouco. Amigo que viaja pra te visitar, amigo que suporta a ladainha quando você se apaixona. Amigo que aprova namorado. Amigo que cuida de você quando tá com o pé quebrado, e que vai na farmácia comprar remédio pra gripe, por que você não consegue levantar. Amigo que pula na cama com você, que te chuta por debaixo da mesa, que guarda os segredos mais bizarros do mundo. Amigo, Amiga, Amigos.

Amigos, muito mais que amigos, eu fiz em BH. Eu encontrei novos irmãos, que dividiram meu coração e meu fim de semana em partes alegres, de uma vida que nem sempre é tão alegre. Não tenho palavras pra explicar como vocês completaram a minha existência, de forma desequilibradamente divertida. Sei que citei poucas situações em que precisei de vocês e que já precisei muito mais, mas amizade é duas mãos de um carnaval, e se vocês precisarem de mim, acreditem, eu vou estar aqui, para todo o sempre, sempre.

Alma gêmea é quem te completa, e se for pra pegar o sentido literal dessa expressão, eu encontrei as minhas. Aos meus irmãozinhos, de coração, e principalmente, para as participantes da "Tríade do mal", apelido imbecil que não fui eu quem criou, Fernanda e Jéssica, um abraço mortal!

                                                                                   Camile Rocha da Veiga

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sorria =)

E quando eu digo “Vai lá, seja feliz!” não é da boca pra fora. Eu quero que você seja feliz. Você não me deve nada, e me desculpe pelos fatos serem estes, mas se eu pudesse te pedir algo, seria a chance de te ver sorrindo, já que não sorrimos mais juntos. Eu vou sorrir, eu vou ser feliz. Não fiz por mal, nunca fiz, e te gosto muito, mas as vezes a reação das pessoas não condiz com a importância das nossas atitudes. Te magoar? Me desculpe, me desculpe mesmo, nunca foi minha intenção. Na verdade minha intenção era te salvar de alguns males que eu sei, carrego comigo. Seja feliz por esse algo no seu peito que ainda não passou, por favor. Olha a lua lá fora, ela continua cheia, ela continua inteira. Continue inteiro. Se não pode ser feliz comigo, seja feliz pelos momentos que tivemos. Eles ainda estão lá, no passado, e não sei se feliz ou infelizmente, nós não temos perca de memória curta, e eles ainda vão caminhar conosco por um tempo, até alguém novo aparecer, pra mim e pra você. Não se prenda nessa idéia de que me ama, por que até amor na vida passa. Às vezes o trem emperra, mas ele passa. Espero que um dia possa te olhar no olho e te chamar de amigo, e, se não, apenas conseguir te olhar no olhos, como não consigo agora.
Vamos lá, ser feliz. Talvez no meio do caminho a gente se esbarre de novo. Quem sabe o que o destino nos reserva?

Eu não te amo mais

Meu coração está vazio. Como o céu do inverno de Porto Alegre naqueles dias onde o frio espanta as nuvens. Também está gelado, desse jeito. Onde estão os amores que sempre me ocuparam? Eu penso em ti e não sinto nada. Sabe, estou quase com saudade de não te ter e sentir tua falta, por que agora que a falta passou, eu não sinto nada. Meu coração bate e é como espalhar vida para algo morto, rígido.

Sou pedra.

E aí eu ando pelas ruas, procurando em outros rostos algo para amar, como amava os teus traços. Mas vai ver não era amor, por que esqueci. Ou era tanto, que nunca mais vou encontrar algo que me faça sentir como teus olhos que me enlouqueciam. Teus olhos foram e vão ser pra sempre a droga mais violenta que já experimentei. Pra sempre. Nós dissemos que iria ser pra sempre, não dissemos?

Mas parece que amor nunca é o suficiente. E se não amor, esse vicio eterno de te beijar, te ter, olhar nos teus olhos, me ver em teus braços, sem respiração, só nós dois, nesse ritmo frenético de alucinação.
Mas agora, passou. E quando sinto falta de ti, é dos teus braços e da sensação do teu corpo no meu, e não mais dos teus olhos. É uma falta física, como se algo em meu corpo estivesse contigo pra sempre, e os membros restantes me pedissem para ir buscar essa parte que me falta. Estar perto de ti é pura atração gravitacional. O mais forte atrai o mais fraco. E eu sempre fui a mais fraca.

Ou será que o que chamo de fraqueza seja na verdade a minha maior qualidade? Essa, de amar fácil, de me apaixonar por olhos? Será que foi isso que eu perdi?

Meu coração não quer mais bater como antes. Meus olhos estão cravados nos teus, me perdi ai dentro.
Eu não te amo mais, e isso me mata, por que eu realmente, realmente achei que, dessa vez, ia experimentar pelo menos um pouco o gostinho do "Para Sempre".
“Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.”

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O que eu acho que ele queria falar.

-Não te amo mais, não te quero mais. Achei alguém melhor que teus abraços, que teus beijos, que tua olheira rotineira e que tua gordurinha localizada. Achei alguém que não responde às minhas grosserias, uma menina que agüenta tudo calada, que me agüenta, que me completa. Achei uma garota capitalista, machista, dona de casa, mulher de marmanjo, alguém que vai pra cama comigo sem me pedir nada em troca. Achei uma garota que é o teu oposto, que me olha no olho, que me pede pra abraçá-la, por que precisa do meu abraço. Tu é inconseqüente. Não tem limite, não tem restrição. É egoísta, não muda de opinião. Não consegue me olhar no olho, por que  o olho é a janela da tua alma, e tu não aceita minha curiosidade por olhar através dessa janela. É feminista, comunista, acha que tudo fere teus princípios agudos. É fumante, sempre com essa unha vermelha e uma baforada de cigarro. Não quer sexo fácil, quer amor difícil, quer poesia. Eu não sei fazer poesia. Tu é poesia. Quer sair na rua e gritar, quer correr, quer brincar. Não tenho mais idade pra brincar. Não tenho mais idade pra te convencer que estou certo, que é tu quem está errada. Por que está errada. Essa mania de querer mais do que tem, mais do que tem capacidade de ter. Acha mesmo que o príncipe encantado ta ai, te esperando? Te enxerga, ele nunca vai vir, e teu vestido vai manchar quando cansar de esperar de pé. Ela pelo menos me entende, ela me quer. Ela não é um enigma, ela não é uma esfinge. Ela é normal.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O inferno são os outros

Tenho me provocado. Chamando minha própria atenção com atitudes inconseqüentes, cutucando, alucinadamente, cada pedaço de minha alma, para ter certeza de que esta ainda habita em mim. Tenho um circo de horrores mental, onde os palhaços desfilam exibindo suas faces pintadas com o meu rosto, a réplica perfeita da dor. Quem é você? O que se tornou?

Me tornei metade de mim, pedaço solto. Me tornei pergunta, não mais resposta. Me tornei medo, e não mais razão. Eu derrubei as pilastras que sustentaram minha ascensão e hoje sou feita de pedaços, enxofre, cascalho, poeira. Muro de Berlim.

Entre o sono e o sonho, gritei, com medo da presença indecifrável que me observava no escuro do quarto. O que é o escuro, se não a ausência da visão, a ausência da razão? O que é o grito, se não o pedido desesperado da boca que desaprende a formar as palavras? Quem me observava, se não meu próprio medo, o demônio que eu mesma criei e alimentei, dentro de mim, com a falta de consciência? O demônio de todos.

O inferno?

O inferno é a ação, é a luxuria, o desejo, o beijo, a mentira, a provocação. O inferno está aqui, e me perdi nele.

O inferno são os outros.

terça-feira, 31 de maio de 2011

EEI, VOLTA PRA MIM?

As vezes eu me imagino parando na frente da sua casa e gritando, com todas as minhas forças, pra você voltar pra mim. Imagino a sua família espiando a cena pela janela, enquanto me desfaço em declarações mortas pra você e pra sua vizinhança. Não ia adiantar, ia?

“Três palavrinhas só, eu aprendi de cor”, foram entalhadas no meu cérebro de forma dolorosa e permanente, certo?

Eu sei, é difícil me imaginar, eu, euzinha, a “rainha da frieza”, gritando na porta da sua casa, mas eu faria. Eu me declarei, não declarei? Eu te pedi de volta, não pedi? Que são cinco passos pra quem já deu quatro? 

Não são nada.

Você prefere na porta da faculdade? Na porta do seu trabalho? Você prefere que eu cante? Toque no violão? Ou você prefere que eu me aproxime de você, e diga no seu ouvido? Aproveite, eu nem sempre sou tão gentil a ponto de te deixar escolher como quer ouvir o “eu te amo”.

Por que eu te amo.

Quando você me perguntou se eu resumiria tudo que eu sinto, senti, enfim, em três palavras, meu coração bateu tão forte que, por alguns segundos, imaginei se tinha te atingido, com a proximidade em que estávamos. E depois ele parou. “Eu posso resumir?”. Será que se eu tivesse baixado a guarda e dito exatamente o que eu queria dizer, exatamente o que você queria ouvir, você teria me escolhido?

Escolhido. Me senti uma batata na feira, nesse momento.

Eu me prestei a ser uma das opções, e não a única opção... é. Quando é amor, não é cego, é retardado. E essa história ta fazendo aniversário.

Até rimou.

Pensar que o tempo passou tão rápido. O tempo passa, a gente aprende, a gente esquece. Surgem novas pessoas, de formas inesperadas, em lugares inesperados.

Sim, eu ainda te amo. Não, não irei gritar na porta da sua casa, até por que esqueci meu guarda chuva por ai, e o tempo não tá com cara boa. Não sei se quero comprar outro guarda-chuva. Sobre o violão, seria legal, se eu soubesse tocar.

Falta um guarda-chuva, falta um violão. Falta coragem...

Falta você.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tatuada

Não sei. Não sei se desistir é a melhor opção. As vezes, quando paro pra pensar nisso, acho que já o fiz... mas a convicção vem e vai, dura poucas horas. Por que? Você desistiu? Por que você desistiu?

As vezes me pergunto se você pensa em mim como eu penso em você.

Te ver tem sido um massacre, sabe? Como agulhas debaixo das unhas. Estar ao seu lado e não poder te tocar. Conversar com você sem, realmente, falar... É como se eu fosse um boneco de cera. Aparentemente humano, mas sem nada por dentro. Se você tirar a casca... é oco. Se você chutar... amassa.

Dói chamar de amigo quando quero te chamar de amor. Você não é meu amigo. Nunca foi. Nunca será.

Está ficando cansativo. Ainda que fosse mentalmente., mas está cansativo corporalmente. É como se a cada manhã eu acordasse com alguns pedaços a menos. Pedaços que você levou, quando apareceu no meu sonho e foi embora. E não é só isso. Está cansativo verbalmente. Usar as mesmas palavras pra te descrever, usá-las esperando que você volte. Você não vai voltar.

Nunca vai voltar, vai?

É tão bobo, tão nojento... é tão ridículo pensar que eu tenho uma vida toda, um mundo todo, tudo o que eu poderia querer, e, mesmo assim, meu mundo gira a sua volta. Uma órbita indesejável.

Mas, me diga. Eu te fiz feliz? Feliz mesmo?
Te fiz feliz durante todo o tempo em que você esteve aqui? Por que, você querendo ou não admitir, nós tivemos uma história duradoura. Pode não ter sido perfeita, aliás, longe disso, mas algum proveito você deve ter tirado desse tempo.

Por que? Era cômodo? Claro que era! Era cômodo estar com alguém que se preocupa, que te quer bem. Era cômodo estar com alguém que te ama. Por que quando você está com alguém assim não precisa se amar, se preocupar, se querer bem.Você tem tão pouco amor próprio que precisa que os outros te amem para suprir essa necessidade. O que o seu psicólogo falou sobre isso? E sobre a sua mania de machucar as pessoas que te suprem?

Doeu heim? Doeu ir embora sem dizer adeus? Doeu olhar nos meus olhos depois que a noticia chegou a mim por outras bocas? Você não se sente fraco sabendo que não soube me dizer não na hora certa? Ou você não liga?
Dói? Ainda dói olhar?

Olha, realmente. Eu espero que você a ame. Eu espero que você a ame e que ela te ame de volta, como eu te amava. Te amo. Sei lá! Eu espero que ela faça TUDO por você, como eu faria. Espero que ela te faça muito bem. Espero que no fim, não doa pra nenhum de vocês.
Eu te quero feliz pra ter a ilusão que eu não faria melhor. Te quero feliz por que espero que meu sofrimento tenha resultado em algo bom, pelo menos pra uma das partes. 
Claro que uma ponta da minha carcaça vingativa quer que doa em você, pra sempre, pensar que me magoou de forma tão permanente.. tão... tatuada.
Mas eu estou ignorando ela.

Espero que seja o fim. Só quero que acabe, certo? Quero desligar o telefone. Quero te esquecer, mas pra sempre, dessa vez.
Então, por favor. Não me diga oi. Não me abrace. Não peça pra que eu me deite do seu lado, não faça piadinha. Não fale comigo de forma alguma, me esqueça, sou invisível. Não me peça pra te alcançar nada, não me pergunte nem onde fica o banheiro. Não olhe nos meus olhos.

E, por mais remota que seja a chance, principalmente.
Nunca mais volte pra mim. Por que eu sou péssima pra dizer não. Assim como você.

Vai lá, ser feliz! Eu vou pro outro lado, assim a gente não esbarra.

domingo, 22 de maio de 2011

Estereótipo

Quando você ama alguém, o que você ama? Você ama o cabelo liso, o lábio carnudo e as curvas sedutoras, ou você ama o sorriso, a forma como a pessoa te abraça? Você ama o perfume ou o cheiro dela? Se você ama uma pessoa, você liga pros quilinhos a mais? Pra cara amassada depois de acordar? Você liga pro fato da pessoa roncar, ou você só quer olhar ela dormir?

Se você ama uma pessoa por que ela é bonita, você não ama ela, só ama o estereótipo que a sociedade criou na sua cabeça. Você não ama a pessoa, você só ama o fato dos outros sentirem inveja de você, por que, “nossa, eles são tão bonitos... formam um casal perfeito”.

Eles são bonitos. Eles são lindos. Mas eles também tem chulé, vão ter mau hálito depois de acordar, cheiro de suor quando ficam muito tempo sem tomar banho e cabelo embaraçado de manhã. Eles também vão ao banheiro, fazem o um, o dois e Deus sabe o que lá dentro, como todo mundo faz. Eles estão propensos a caspa, a piriri, a cair na rua de bunda, a ter um bad hair-day, a engordar no churrasco de domingo.
Se você ama uma pessoa, ela não é perfeita. Ela é humana, ela chora, ela grita, ela se sente feliz, ela esperneia... ela nem sempre é confiante, maravilhosa, estereótipo. ESTEREÓTIPO.

Ela SENTE. Assim como você sente. Assim como você não é perfeito, e está sujeito a desfilar por ai, por engano, com uma salsinha enfiada no meio do dente.

Respire fundo, agora que descobriu esses pequenos detalhes que lhe foram escondidos pela sociedade repressora na qual nós vivemos.


Respirou?


Sabe, o verdadeiro amor está onde os olhos não podem ver.
Talvez um dia, quando você se sentir menos burro e mais humano, você feche os olhos.

E, cara. Você vai se impressionar com o que vai poder ver.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Descobertas [1]

Não é como se eu não vivesse antes. Apenas percebi que consigo levar melhor essa vida quando estou sozinha. Sem me concentrar no abraço, nos beijos e nas palavras alheias, me impressiono ao descobrir que me concentro melhor em meus pensamentos. Me concentro melhor em minhas palavras.

A solidão me inspira.

Quando estou sozinha consigo sentir a ultima gota de sangue que corre em meu corpo, consigo sentir o alarde, os hormônios. Consigo me comunicar em meus monólogos interiores. Quando estou sozinha me permito sentir as coisas que, na frente dos outros, não se espalham. Sozinha em consigo chorar, rir, dançar. Descobri que quando estou sozinha, fico mais feliz.

Descobri também que preciso ser mais egoísta. E há forma melhor de ego do que a solidão? Sem ter que me doar, agradar, perdoar, sinto como se as palavras viessem soltas para mim. Elas são minhas, e não preciso consolar ninguém com elas. Essa é a graça da solidão.

Só eu e minhas palavras. E nós nos damos muito bem.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Despedida

Me desculpe se não sou capaz de olhar nos teus olhos. Me desculpe se sei que essas palavras são como lâminas e talvez doam mais do que podes agüentar.

Mesmo que agüente, me desculpe por não ter dado sinais, por não ter inflado a bandeira do fracasso.
Me desculpe, querido. Isso é uma despedida.

Não posso te enganar, sabe. Não posso fingir que estou bem, te fazer carinho, te beijar a boca. Não quero mais engolir esse veneno involuntário que me queima e corrói a garganta todas as vezes que te chamo de “Amor”. Esse veneno chamado mentira.

Não és o problema que desencadeou nesse fim. É de praxe dizer que sou o problema, mas dessa vez (e de todas as outras) acho que realmente fui. Sou incoerente, sou inconstante, isso nas palavras de uma antiga boca. Sou a velha romântica que não encontrou em ti o enredo ilusório de filme de romance, o beijo no alto da escada que tanto desejava. Tu és apenas mais uma das vítimas do meu desapego, do meu jeito cafajeste de ter o afago, a atenção e a garantia de amor que tanto preciso para suprir esse buraco negro que tenho em meu peito. Me desculpe se não consegui deixar claras minhas más intenções logo de cara, quando me disse que havia esperado por mim.

Na verdade, pode parecer presunção, mas me agradecerá um dia. Não desejo a ninguém esse furacão avassalador que pode ser me amar. Posso ser doce como o mel, aparentemente, mas amargo ao alcance da língua. Não sou bipolar, sou tri. Com dois toques a mais sou capaz de matar o amor, o tesão, a ternura. Apenas com o estalar de dentes da ironia posso estapear, trair, ferir, matar. Sem me mexer.

Não sei amar. Amo demais ou não sinto absolutamente nada. Ou é 8 ou 8.000. Enquanto eu não aprender, não posso te prender aos meus tormentos. Não posso te usar como âncora para o mundo real. No mundo subjetivo da minha aflição, a corrente que prende minha ancora é mais fina que um barbante, e qualquer mínimo toque arrebentará essa ligação e me levará para longe de ti.

Não sei o que sinto e sentir pra mim é como brincar. Essa é minha distração, e nem todos estão preparados pra entrar na roda. Aliás, nem todos são tolos o bastante pra girar na brincadeira até não agüentar a tontura e cair aos próprios pés.

Sou tola, sou imatura. Vou e venho, sem aviso, sem sinal. Tornado.

Acredite, querido. Estou apenas te impedindo de ser atingido pelos meus raios, e por favor, pense assim, comigo. Pense nisso como o resgate de uma salva-vidas arrependida. Estou te resgatando de mim, de minhas mãos descuidadas e de minhas ilusões cinematográficas.

Corra, ainda é tempo. Vá, enquanto te aceno “Adeus”. Se salve de mim.

                                                                                                                                  Sinto muito,
                                                                                                                                                   R.V

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Acho que te amo tanto que sentir sua falta já é crônico. Passou a fase aguda, e me resta esperar o fim.

Ou existe antibiótico pra infecções amorosas?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Parar com isso

E se eu te falar que todas as vezes que eu te vejo tenho vontade de fazer qualquer coisa para que isso pare? Essa dor de ter te perdido. Aliás, perdido não, por que não se perde o que nunca se teve. Essa dor de nunca ter tido. Qualquer coisa.

E tu me olhas com cara de piedade, e fala baixo, enquanto mexe carinhosamente no meu cabelo – Você tem que parar com isso.

Tenho que parar.

Mas sabes por que eu faço isso? Será que consegues ver, no fundo dos meus olhos, o motivo que é o teu reflexo? Eu tenho que parar com isso. Parar de me massacrar, parar de me prender, parar de me sufocar, de me matar aos poucos, sem instrumentos, somente com a consciência de que te gosto, te amo, te quero sem recíproca.

EU TENHO QUE PARAR.

Mas será que ter é querer? Será que eu quero parar, e deixar essa esperança fraca e negra de lado, a única lágrima que resta para essas noites quentes? Será que eu tenho mesmo que esquecer como é ficar deitada nos teus braços, cercada pelo cheiro de grama, olhando a lua, essa mesma lua que vejo agora através das grades da minha janela? Será que eu quero esquecer que um dia tu pensaste em mim de forma diferente dessa que agora nós vivemos?

Será que querer é poder? Será que mesmo se eu quisesse te esquecer, eu conseguiria?

O que nós somos agora? O que é o abraço, o beijo no rosto? É o esquecimento? Então nós deixamos de fingir que nada aconteceu e entramos na fase em que realmente NADA aconteceu? Nós deixamos de fingir sermos amigos, e agora realmente somos? Meu amigo?

Ter que esquecer, ter que parar. Ter...

Simplesmente, não é poder.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bala

É uma guerra.
Sem lógica, deixamos nossas almas de lado.
Achamos que de algo vai adiantar.
Mas acabamos sangrando, com os corpos inertes presos na lama.

Proposta obscena
Esquecer o que é o amor.
Esse amor de amigo, esse desejo de amigo.
Não tem primeiro nem terceiro caminho.

Estamos presos, algemados um ao outro.

Na acidez da rejeição é cada um por si.
A Deus não interessa.
Esses problemas pequenos de corações humanos.
Nós não vamos desistir.

Nem vamos esquecer.
Podemos sim, fugir.
Seu coração não para, seu respirar sim.
Quando a bala o atingir. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Brilho eterno de um quarto sem lembranças

"Eu olhei para o quarto. Não haviam mais quadros na parede, apenas a sombra de onde um dia eles habitaram. Os livros estavam encaixotados, sozinhos. Suas paginas deveriam estar já grudadas. A estante, vazia, muda como nunca estivera antes. O armário, caindo com os cupins que a muito tempo já me incomodavam. A junta esquerda da parede com uma pequena rachadura.

Entrei.

As quinas eram familiares, tanto que conseguiria andar ali no escuro, sem esforço, como fazia a noite. Não gostava de acender a luz.
Fazia tempo que ninguém dormia naquela cama. A cama que já presenciou muitas risadas, muitos choros, muitos telefonemas, e até alguns segredos. O colchão nu estava reto, sem indicio de amassados.

Sentei.

Respirei fundo. O cheiro era o mesmo, apesar de toda a velhice do lugar. Um pouco de pinho sol, um pouco de desinfetante e um pouco de mim.
Minha mãe gritou da cozinha que o almoço estava pronto. Fechei a porta e arredei a cama para bloqueá-la, como nos velhos tempos, quando não haviam chaves para os meus segredos, apenas bloqueios psicológicos.

Deitei.

Fechei os olhos.

O lugar estava com vida novamente. A estante limpa, cheia de livros de ficção, coloridos, organizados por tamanhos e coleções. A escrivaninha, cheia de apostilas do cursinho, alguns papéis jogados e muitas canetas de ponta fina rolando. O tapete amarelo meio embolado e o mural com alguns ingressos de cinema, memorandos, o horário da natação e o último exame de sangue, me lembrando que deveria parar de comer carne vermelha.  O abajur apontado pra cima. A miniatura do Mike Wazowski me encarava, ao lado da coleção de conchas. A cadeira, ocupada.

Você também estava ali.

A mesma camiseta, o mesmo sorriso, a mesma tatuagem. Estava sentado na cadeira. Nos seus olhos, um convite para um beijo. No toque, desejo subjetivo.

Sorri.

Você me puxa e me coloca no seu colo. Diz que não vai me largar nunca mais. Morde a minha orelha numa tentativa muda de me agradar, e ao mesmo tempo, provocar.
Nós caímos naquele mesmo colchão. Apenas por brincadeira. Apenas para estarmos juntos.
A mesma voz que me chamava agora nos chamou para o almoço.

Me chamou para o almoço.

Irreal.

O quarto apenas me lembrava das fantasias que eu tive ali, não realmente do que aconteceu. Tinha o seu cheiro, o seu sorriso, o seu azul escuro. Por que você estava lá comigo, sem nunca ter estado.

É, estranho não seria se eu não me apaixonasse por você... Estranho seria se eu te esquecesse."

terça-feira, 29 de março de 2011

Advogado do diabo

Eu tenho medo. É uma sensação bizarra. Medo do futuro... de não saber o que quero. Agora que o tenho, também tenho o que perder. É a primeira vez que sinto medo de voar, de me jogar. Onde me prenderam?

Tenho medo desse caminho tortuoso que não escolhi mas trilho.

Sem rumo, vou seguindo cada dia numa inércia sem perspectiva, covarde, aos cutucões para seguir em frente. Olho-me no espelho e me pergunto: Quem é você? Onde está a garota de risada alta? Onde está a rainha das respostas inteligentes? Onde estão aqueles olhos brilhantes?

Onde estão as qualidades das quais eu me gabava?

Aqui, nos bastidores do meu palco sem holofotes, vejo que, talvez, os inimigos contra os quais tanto lutei estejam no ultimo andar do pódio, enquanto eu engraxo seus sapatos. Seja um beijo mandado para a viúva, seja um “Eu te amo” dito por quem não merece sofrer.

Me desculpem, mas me sinto presa. Estou atrás das grades, e a força que antes me fazia dobrar ferros está enterrada na lama avermelhada. Acho que minha força está sendo engolida por vermes do meu passado.
Passado que atormenta.

E quando eu acho que me livrei de todos aqueles fantasmas, eles me visitam na prisão, com palavras embrulhadas em papel celofane. “Quer um presente? Tome para si essas minhas memórias de te fazer sofrer.”

Eu preciso encontrar meu caminho, mas o mapa está de cabeça pra baixo.

Preciso deixar este palco, mas como um belo cisne branco, acho que só em outro mundo.

Preciso sair desta prisão, mas me ofereceram o advogado do diabo.