2011 está passando rápido, numa inversão de situações sem estações definidas. O frio na hora errada, o calor também, com as horas passando em segundos apressados. Ainda ontem só enxergava o breu, e via a melancolia tomar conta dos meus membros como uma alienígena, parasitando meus pensamentos e sufocando minha respiração. Hoje é como se o nublado transitório do céu tivesse se transformado em um sol forte de verão, que ao se pôr deixa o céu com gosto de laranja.
Tenho uma novidade: Eu estou bem. Estou bem comigo, com os meus amigos, com a minha família. Olho-me no espelho e me vejo definida, sem a névoa incomoda que antes dominava meus olhos. Talvez tenha em meu rosto algumas linhas de cansaço que não esperava, talvez eu esteja com um pouco menos de vida nos cabelos, mas estou viva. Aquela tempestade que estava ameaçando castigar meu céu não caiu, e eu sofri por antecipação, o que talvez seja pior que o sofrimento em si, quando vem.
As coisas mudaram, eu aprendi tanto nos últimos meses que eles pareceram uma vida toda. Aprendi que supervalorizar o que não é recíproco é besteira, mas que amor não é supérfluo, apesar da situação ter sido. Ah, o amor, às vezes penso nele como a maldição do mundo, até lembrar de alguns sorrisos. 2011 me fez sorrir por amor em seus poucos segundos, e a memória do sorriso não me deixa triste por ele estar no passado. Agora estou sozinha, sim, mas sorrir continua fácil, e esquecer também se tornou menos desgastante. A idéia de solidão não me assusta, não nubla meu céu agora claro. A solidão tem me aberto um leque de possibilidades, enquanto me abraça e me tranqüiliza. Não é impossível ser feliz sozinho, só é difícil.
Tenho ar nos meus pulmões, um céu aberto e uma pilha de palavras. Não espero o fim do mundo para 2012. Estou recriando meu universo com um calor que eu não conhecia, e esse novo planeta não vai ser destruído, apesar dos sofrimentos que possam vir. Meus segundos vão voltar ao seu tempo, e o ar fresco vai reviver esse corpo que vi morrer aos poucos no espelho. Eu estou otimista, com uma caneta na mão, e ainda tenho muito o que escrever.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Impulso
Não consigo te ver andando, assim, pra longe de mim. É confuso. Um dia você me quer, no outro não. O que aconteceu, está sóbrio demais ou enjoou? Tua mão, balançando assim, na minha direção. Tua mão na minha.
Você não sabe o que deixa escapar de vez em quando. Deveria cuidar o que fala. Te incomoda quando falo deles? Você me disse que não sentia ciúme de mim. Pois bem, eu sinto de ti. Esse plano de te esquecer ta acabando com as minhas esperanças de concretizar algo na vida. Por que você está ali, e eu aqui, e não estamos juntos, nem separados.
Acho que no fim estamos nos deixando de lado, aos poucos. Eu te quero, mas aquele impulso de te pegar pelo pescoço e te fazer me beijar a boca está passando. Aquele impulso incontrolável de pele, aquele negócio inexplicável que eu sentia com um simples abraço.
Te afasta. Por favor. Te afasta de mim, por que eu não quero me afastar de você, apesar do rumo que as coisas estão tomando. Vá embora, e faça o favor de levar contigo toda esse impulsividade que criei com você aqui. Vai embora e leva contigo a dor.
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