segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sem coração

Dói. Está doendo mais do que o necessário... está doendo mais do que é saudável. Essa foi a impressão que te passei, então a culpa é minha. Reverter situações que nós mesmos criamos é difícil demais. Tá difícil demais. 1,2,3. É mais do que eu precisava pra um romance só.

Nós nos deitamos pra olhar a chuva cair. Não sei se o tempo reflete meu humor, ou se o meu humor reflete o tempo. Só sei que, dentro de mim, uma tempestade cai. Orgulhosa ventania, encobrindo o sol que um dia foi o meu sorriso. Você vai embora, e leva junto todo o meu conforto. Você, e mais outros 2, que mexem com a minha cabeça. Você sente, o tanto que meus olhos te procuram no meio da multidão? É desesperador.

Deixe-me contar um segredo. Segredo que não é secreto, está escrito aqui em tantas linhas marcadas por lagrimas imaginárias. Eu sinto. Eu sinto, e sinto muito, muito mais do que meu rosto, e minhas inconseqüências, e meus alcoolismos demonstram. Eu sinto vontade de te abraçar, e de pegar sua mão. Como hoje, no meio daquele circulo, quando sua mão pousou na minha no joelho dela. Dramática, eu? 

Realista. Odiosa. Talvez extremista. Mas não dramática. Sou pessimista. Enxerguei-nos com pessimismo desde quando, em agosto, depois de minhas férias tediosas, me falaram que nós faríamos um casal perfeito. É, me falaram isso, acredita? Falaram que os desapegados se unem em prol da liberdade. Botava fé de que isso não existe em mim. Meu desapego é um muro de proteção, com 10 fechaduras e alguns cacos de vidro no topo. Mas é só um pouco de atenção, e ele cai, virando farelo e voando no vento da tempestade.

Inacreditável não é?  O fato de eu ter me apaixonado de novo por alguém como ele, como você. E dar a mão pra ela é a prova de que meu sentimento te faz cego. Nada do que falo, do que demonstro, é o suficiente pra você enxergar a verdade. 

Outro segredo? Quando me apaixono, sonho com a pessoa todos os dias. Faz duas semanas que em meu diário narro sonhos sobre você e eu. Na maioria, pesadelos, espelhos da realidade diante meus olhos. No ultimo, nos afogamos na enxurrada. Por isso a chuva dos últimos dias tem me alarmado tanto. Vem tormento por ai.

Preferia não ser supersticiosa, mas a vida me mostrou que lá fora há muito mais do que podemos enxergar.  Até dois anos atrás, não acreditava em paixão, em amor... em coração partido. Até sentir o meu quebrar. E doeu, como está doendo agora. Me apaixonei muito mais nos últimos dois anos do que na minha vida inteira.

Na verdade, esse texto não tem objetivo, por que não tenho conclusão para essa história. Não consigo desistir, não consigo me conter. Apenas imploro. Tente enxergar através do meu muro. Tente enxergar, abra seus olhos, para que eu possa olhar dentro deles e dizer o que eu tenho pra dizer. Caso eu tenha coragem. Como no momento não a tenho, digo adeus por aqui.

Espero que você tenha uma boa noite.
Sem coração,
Camile.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Outro planeta

Quero esquecer tudo que me lembra você.  Desde a pilastra de algumas igrejas até o banco de certas praças. Quero esquecer das rotas que seguimos de madrugada pelas ruas vazias da cidade, de mãos dadas, sem preocupações com a hora de chegar em casa. Quero esquecer as trilhas no parque, quero esquecer das cachoeiras e das brincadeiras no balanço. Quero esquecer sua bebida favorita, quero esquecer das bandas que temos em comum (uma das partes mais difíceis, por sinal). Quero esquecer da rua que tem atrás do supermercado e em frente à farmácia, onde brigamos debaixo de uma chuva tremenda por um beijo. Quero esquecer da casa de shows, quero esquecer da praça em frente a casa de shows, e do coreto onde chorei descontroladamente em frente a punks desconhecidos que ficaram com dó de mim. Quero esquecer da grama do parque redondo. Quero esquecer do quanto gosto da sua família, quero esquecer seu endereço, seu telefone, seu rosto.

Não quero esquecer por que ainda te amo. Muito pelo contrário, quero esquecer o quanto dói um dia ter amado alguém como você. Parece que você é diferente com cada pessoa que conhece. Comigo você foi a melhor e a pior coisa dos últimos 2 anos. É bom lembrar de tudo isso, e ao mesmo tempo, dói demais. Dói saber que não faço mais questão de te ver, e dói saber que já fiz de tudo pra sair de casa só pela expectativa de estar perto de você. Acho que o que eu te disse foi MUITO  POUCO perto do que eu te escrevi. As vezes digo “Sabe o que eu tinha vontade? De imprimir tudo que escrevi e mandar pra casa dele. Pra ele ter uma pequena noção do que foi esse muito”.

Nem sei quantas palavras já tracei com o seu nome subtendido. Sério mesmo. Foram tantos textos embolados em folhas de caderno, no computador. Já escrevi até no guardanapo do McDonalds. Você e meus pensamentos estão perdidos juntos em tantos cantos dessa cidade. Em papel, em memória, em pedra.

Quero esquecer tudo que me lembra você. Fiz faxina no quarto e joguei 2 cadernos fora, alguns ingressos de show, algumas bobeiras que guardei. Joguei fora metade do meu guarda roupa, a outra metade eu doei. Alguns CD`s também foram pro lixo. Exilei algumas roupas de cama, doei um perfume. Escondi alguns livros. Não sei se vai adiantar.

Acho que vou ter que me acostumar com a idéia de que, pra te esquecer, vou ter que mudar de planeta.
Acho que vou ter que me acostumar com a idéia de que você vai estar aqui pra sempre. No meu subconsciente. Uma memória de um erro. Um alerta.

domingo, 20 de novembro de 2011

O que eu quero.

Eu quero uma TV a cabo com Tele Cine, quero o novo livro do Gabito Nunes, quero um Ipod de 16GB, quero um pote de sorvete de passas ao rum e um pote de 600ml de calda de chocolate, quero um litro de cachaça da roça, quero um maço de cigarros e quero você de volta. Quero você, você, você, e quero fugir dessas armadilhas e dessas intrigas que eu arranjei pra nós dois, sem querer, apenas botando em prática meu talento de destruir tudo que encosto. Quero você com a consciência de que você não quer ninguém, além de você mesmo. Quero você com a consciência de que não sou só eu quem quer. Quero poder dizer o que eu quero, quero poder querer.

Nem sempre tudo dá certo, na verdade, quase nunca dá. Mas eu queria um domingo acompanhada e quem sabe, um sessão de cinema promiscua. Quero horas deitada olhando pro teto, e quero a sua voz, e quero o seu corpo, e quero, quero. PORRA, EU TE QUERO.

Mas o melhor (pior), eu quero você, sabendo que você não pode me dar o que eu realmente quero: Ser correspondida

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

I'm lost, ok?

Eu sei que tinha uma porta aberta. Ando deixando muitas por ai, talvez escancaradas para pessoas que não merecem. Mas a tua porta era muito convidativa. Recusei-me a fechar, e quando tu passou por ela, eu não soube lidar muito bem com a situação. O que não é pra ser, não será. Mas foi, não foi? E não era pra ser.

Bati tua porta. Bati e a tranquei com sete chaves, mandei esconder cada uma em um estado diferente e me encolhi no canto da sala. Não estou sabendo lidar com isso. Contigo e com essa tua lábia descomunal. Agora eu entendo tudo. Não tem como não enlouquecer, como não ser tomado. É arriscado demais, e isso faz de toda a situação muito mais interessante.  Promiscuamente interessante.

Acho que no fundo, nós achávamos que realmente seria só isso. Algo promiscuamente interessante de se provar. Nós, infelizmente ou felizmente, somos parecidos demais. Desapego é nosso lema, medo é nosso limite. Não sou de me entregar as coisas, mas algo em ti me puxou para o fundo quando pulei com dois pés nesse interesse. Tu nem colocou o dedo direito, pra ver se a água tava fria ou quente. Não estou reclamando, eu SABIA como iam ser as coisas. Sou intensa demais pra insensatez. Às vezes eu penso tanto no que vou fazer, que tudo embaralha e eu perco o controle.

Sempre digo que não estou perdida. Pois bem, estou aqui revelando minha hipocrisia e confessando. Estou perdida dentro de mim mesma, nesse momento. Alguém tem um mapa?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Teto de vidro

Ando olhando para os lados a procura de um rumo inteligente para minha fuga, mas me vejo presa entre quatro paredes conspiratórias. O teto é de vidro, e tenho uma janela de barras acinzentadas que permite a entrada de um ar azedo, carregado de podridão. Daqui consigo ver o céu, azul sangue, com cheiro de morte e mentira. Não há vestígio de chuva em meu céu, para limpar nossos pequenos pecados íntimos, tão humanos e supérfluos. Não há esperança para os semi-mortos que apodrecem a minha volta. Fui deixada para trás.

Ouço passos fracos em minha mente. A verdade procura saída. Fecho minha boca até trincar os dentes. Não posso admitir que estou sentindo essas palavras, pois é obscuro e infeliz. Tranquei-as. Medo. Não vejo coragem no caminho da minha visão limitada, não vejo pôr-do-sol.  Vejo uma cruz, um túmulo e uma lágrima vermelha, que escorre na face branca, entre os soluços da minha consciência.

Estou tão presa dentro de mim mesma que tenho vontade de gritar. Não entendo os motivos do meu desespero. Não vejo motivo existente, tanto que conclui que sofro por falta de motivo. Sofro por tédio, por solidão.

Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra. Atirei tantas que estou esperando meu teto despencar, atacado aos pedregulhos de julgamentos mal feitos. Guarde sua mão, não tente me ajudar.Tenho medo que te aceitando aqui, te tranque comigo nesse purgatório sem saída. Me deixe em paz.

Por entre as barras de ferro vejo uma rosa, e ela tem mais espinhos que pétalas.