segunda-feira, 13 de junho de 2011

O inferno são os outros

Tenho me provocado. Chamando minha própria atenção com atitudes inconseqüentes, cutucando, alucinadamente, cada pedaço de minha alma, para ter certeza de que esta ainda habita em mim. Tenho um circo de horrores mental, onde os palhaços desfilam exibindo suas faces pintadas com o meu rosto, a réplica perfeita da dor. Quem é você? O que se tornou?

Me tornei metade de mim, pedaço solto. Me tornei pergunta, não mais resposta. Me tornei medo, e não mais razão. Eu derrubei as pilastras que sustentaram minha ascensão e hoje sou feita de pedaços, enxofre, cascalho, poeira. Muro de Berlim.

Entre o sono e o sonho, gritei, com medo da presença indecifrável que me observava no escuro do quarto. O que é o escuro, se não a ausência da visão, a ausência da razão? O que é o grito, se não o pedido desesperado da boca que desaprende a formar as palavras? Quem me observava, se não meu próprio medo, o demônio que eu mesma criei e alimentei, dentro de mim, com a falta de consciência? O demônio de todos.

O inferno?

O inferno é a ação, é a luxuria, o desejo, o beijo, a mentira, a provocação. O inferno está aqui, e me perdi nele.

O inferno são os outros.

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