terça-feira, 8 de novembro de 2011

Teto de vidro

Ando olhando para os lados a procura de um rumo inteligente para minha fuga, mas me vejo presa entre quatro paredes conspiratórias. O teto é de vidro, e tenho uma janela de barras acinzentadas que permite a entrada de um ar azedo, carregado de podridão. Daqui consigo ver o céu, azul sangue, com cheiro de morte e mentira. Não há vestígio de chuva em meu céu, para limpar nossos pequenos pecados íntimos, tão humanos e supérfluos. Não há esperança para os semi-mortos que apodrecem a minha volta. Fui deixada para trás.

Ouço passos fracos em minha mente. A verdade procura saída. Fecho minha boca até trincar os dentes. Não posso admitir que estou sentindo essas palavras, pois é obscuro e infeliz. Tranquei-as. Medo. Não vejo coragem no caminho da minha visão limitada, não vejo pôr-do-sol.  Vejo uma cruz, um túmulo e uma lágrima vermelha, que escorre na face branca, entre os soluços da minha consciência.

Estou tão presa dentro de mim mesma que tenho vontade de gritar. Não entendo os motivos do meu desespero. Não vejo motivo existente, tanto que conclui que sofro por falta de motivo. Sofro por tédio, por solidão.

Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra. Atirei tantas que estou esperando meu teto despencar, atacado aos pedregulhos de julgamentos mal feitos. Guarde sua mão, não tente me ajudar.Tenho medo que te aceitando aqui, te tranque comigo nesse purgatório sem saída. Me deixe em paz.

Por entre as barras de ferro vejo uma rosa, e ela tem mais espinhos que pétalas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário