Quero esquecer tudo que me lembra você. Desde a pilastra de algumas igrejas até o banco de certas praças. Quero esquecer das rotas que seguimos de madrugada pelas ruas vazias da cidade, de mãos dadas, sem preocupações com a hora de chegar em casa. Quero esquecer as trilhas no parque, quero esquecer das cachoeiras e das brincadeiras no balanço. Quero esquecer sua bebida favorita, quero esquecer das bandas que temos em comum (uma das partes mais difíceis, por sinal). Quero esquecer da rua que tem atrás do supermercado e em frente à farmácia, onde brigamos debaixo de uma chuva tremenda por um beijo. Quero esquecer da casa de shows, quero esquecer da praça em frente a casa de shows, e do coreto onde chorei descontroladamente em frente a punks desconhecidos que ficaram com dó de mim. Quero esquecer da grama do parque redondo. Quero esquecer do quanto gosto da sua família, quero esquecer seu endereço, seu telefone, seu rosto.
Não quero esquecer por que ainda te amo. Muito pelo contrário, quero esquecer o quanto dói um dia ter amado alguém como você. Parece que você é diferente com cada pessoa que conhece. Comigo você foi a melhor e a pior coisa dos últimos 2 anos. É bom lembrar de tudo isso, e ao mesmo tempo, dói demais. Dói saber que não faço mais questão de te ver, e dói saber que já fiz de tudo pra sair de casa só pela expectativa de estar perto de você. Acho que o que eu te disse foi MUITO POUCO perto do que eu te escrevi. As vezes digo “Sabe o que eu tinha vontade? De imprimir tudo que escrevi e mandar pra casa dele. Pra ele ter uma pequena noção do que foi esse muito”.
Nem sei quantas palavras já tracei com o seu nome subtendido. Sério mesmo. Foram tantos textos embolados em folhas de caderno, no computador. Já escrevi até no guardanapo do McDonalds. Você e meus pensamentos estão perdidos juntos em tantos cantos dessa cidade. Em papel, em memória, em pedra.
Quero esquecer tudo que me lembra você. Fiz faxina no quarto e joguei 2 cadernos fora, alguns ingressos de show, algumas bobeiras que guardei. Joguei fora metade do meu guarda roupa, a outra metade eu doei. Alguns CD`s também foram pro lixo. Exilei algumas roupas de cama, doei um perfume. Escondi alguns livros. Não sei se vai adiantar.
Acho que vou ter que me acostumar com a idéia de que, pra te esquecer, vou ter que mudar de planeta.
Acho que vou ter que me acostumar com a idéia de que você vai estar aqui pra sempre. No meu subconsciente. Uma memória de um erro. Um alerta.
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