quinta-feira, 14 de julho de 2011

Desconhecido

Olá, garoto desconhecido. Me dá um pouco desse teu veneno? Garoto sem sobrenome, garoto sem rosto, garoto de palavras. Não que não tenha sobrenome, por que tem, nem que não tenha rosto, por ai ele está, mas garoto de palavras, por que são elas que importam, no fim das contas. Me dá tua mão? Deixa eu te mostrar como podemos ser velhos amigos de uma noite só? Num velho Woodstock, dia mundial do grito, da emoção. Me deixa te levar pra viajar no tempo, meio anos vinte, meio 2ª fase.

Ei, garoto desconhecido, me leva praquele canto escuro, longe dos olhos que de nuvem, nada vêem, e me deixa te desconhecer? Posso te fazer querer lembrar, amanhã pela manhã? Do perfume, do gosto, da alienação? Você vai lembrar da Itália? E do meu telefone? E dessa mão, que segura a minha, como uma ancora nessa noite estranha?

É, garoto, não é fácil esses dias, em que ninguém sabe de ninguém, nem quer saber. Se você quisesse, bom, posso me apresentar. Está ai meu telefone, está ai o meu lugar. A gente sabe um pouco do tudo, mas sabe, com esse teu jeito, até tenho coisa pra te falar.

Garoto desconhecido, quem sabe um dia a gente se conheça, mesmo.

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