Hoje o cheiro de grama cortada tá invadindo a casa, pela janela escancarada. A lua tá linda, o calor tá insuportável, mas não tão insuportável quanto essa sensação. Eu nunca achei que ia sentir falta de um abraço, mas ai está. O apartamento nunca pareceu tão vazio, tão silencioso, tão inabitável. Parece que ele respira por companhia, assim como eu.
Não sei o que aconteceu comigo, com a gente, mas eu sinto falta de respirar em conjunto. Não é uma falta especifica, não é alguém especifico. É alguém. Tantas pessoas mudaram de opinião sobre mim que já não sei mais quem sou. Não consigo lembrar da última vez que deitei sabendo que teria um SMS de bom dia no meu celular, quando o despertador tocasse. Eu não consigo mais ficar sem esses beijos de despedida, sem aqueles domingos no parque. Eu estou sozinha, e isso é uma droga.
Nunca pensei que sentiria falta dessas coisas bobas. Coisas que menosprezei por tanto tempo, mas estar sozinha me fez pensar. Não quero mais essa futilidade, essa poligamia obrigada. Quem eu estava tentando enganar? Eu preciso de um sorriso que diga “Eu te amo”. Só. Um sorriso. É demais pedir um sorriso? EU já dei tantos sorrisos pra quem não merecia. Eu não mereço, mas sorria pra mim?
A vida me mostrou que é sim, possível, ser feliz sozinha. O negócio é que eu não quero ficar sozinha. Eu não quero ficar esperando uma ligação que não vai acontecer. Não quero ficar sentada no chão olhando fotos de um passado que não vai se repetir. Não quero mais sentir uma falta irreal de alguém que não lembra o meu nome. Nunca imaginei que pudesse me sentir assim, com nomes travados na garganta. Eu quero esquecer o passado, quero rasgar as fotos. Quero novidade, quero um futuro. Por que parece tão difícil? Tão impossível um futuro de abraço, beijo, e bom dias animados? Queria tanto mudar de idéia e ir viver minha vida.
Dizem que quanto mais você procura por amor, menos você acha. Mas eu acho que esse amor, que deveria me achar sem a minha procura, perdeu o GPS.
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