Quando me viro rápido, ainda te vejo, com o canto dos olhos, parado no canto da sala. Te vejo nos bancos onde sentamos, te vejo nas ruas que atravessamos, te vejo em cada lugar em que passamos quando ainda era o sorriso que habitava meu rosto e não o pesar.
Te vejo quando escuto os versos da nossa música, e te vejo em cada letra de outros versos, que uso como mantra pra te esquecer. Consigo me lembrar perfeitamente da tua expressão, do teu sorriso, dos traços grosseiros do teu rosto e até dos mais finos que formavam teu olhar impaciente.
Te vejo nos meus sonhos, nos pesadelos, nos olhos das pessoas que passam por mim na rua e parado na porta da escola, mesmo que tu nunca tenhas, realmente, estado ali. No tempo que passa, no relógio que para, nas histórias que conto sobre como conheci A pessoa, e a deixei ir. Te vejo no topo do castelo que construiria, se isso te fizesse ficar por que “quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo”.
No fim, te vejo em tudo, em todos, em qualquer lugar. Dizem por ai que o que os olhos não vêem o coração não sente. Mas mesmo que me coloquem uma venda, tu ainda vai estar parado, me observando, no canto da sala. Pois não te vejo com os olhos.
Te vejo com a dor de te perder, com o vazio estranho que não permite que meus pensamentos sejam preenchidos por outro tormento. Te vejo por que teu nome corre por minhas veias, infectando cada célula do meu corpo com o veneno da tua partida.
Te vejo com meu coração que bate no teu ritmo, imitando a linha sempre ocupada do teu telefone. O que eu sei, mesmo nunca tendo ligado.
Tu-tu-tu-tu.
(fragmento em itálico de Caio Fernando Abreu)
(fragmento em itálico de Caio Fernando Abreu)
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