sábado, 15 de janeiro de 2011

Todo carnaval tem seu fim

Querido,

A vida é feita de agoras. Momentos, instantes. Não há um segundo no relógio que se repita, pois mesmo que estejas fazendo a mesma coisa, no mesmo horário, não é como no dia anterior. Pra mim, momentos são palavras. Palavras não voltam atrás. Palavras não se apagam. Palavras apenas se respondem, se completam, e ficam em nossas memórias.

Já te disse coisas que não queria dizer, assim como fiz meus lábios de refúgio para palavras que deveriam ser jogadas aos sete ventos, como confetes no carnaval, para que estas pudessem me trazer a alegria de serem correspondidas. Porém, todo carnaval tem seu fim, e não joguei meus confetes. Desperdicei um momento, uma palavra, uma vida.

Agora não é antes, não é depois, e as mesmas palavras ditas em tempos diferentes não significam a mesma coisa. Há algum tempo guardei o "Eu te amo" em meu peito, com medo de que tu pegasses minhas palavras e às quebrasse, jogando-as no lixo. Não pensei que tu serias capaz de cuidar delas. E na falta delas, foste  embora. Quando finalmente me veio a coragem, eu disse "Eu te amo" na esperança de te trazer de volta pra mim. Mas perdoar é divino, e a mágoa é constante. Não te deste conta do meu esforço para cuspir as palavras que tanto atormentaram meu peito. Passado o luto, hoje eu digo "Eu te amo", mas no próximo instante, acrescento minhas vírgulas chorosas: "mas não vou te esperar pra sempre".
Este é o meu momento de te dizer que fiz o que pude por nós dois, entre meus quebra-cabeças e minhas dúvidas cheias de certezas. Eu tracejei o teu rumo, persegui tuas linhas, engoli tuas palavras.

Te digo Adeus por que é o melhor que eu posso fazer, por mim e por ti.

Guarde bem as palavras que te dei, mesmo tardias. Elas serão tuas pra sempre, e são uma parte da minha vida.

Como as memórias de algo que veio e se foi.

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