Ainda pressiono em meus lábios as cartas que te escrevi no limite de minha inconsciência... faço isso na esperança de que, assim como minhas palavras, meus beijos voem com os querubins e cheguem em teus lábios, em tua mente. Ingenuidade a minha.
Ingenuidade pensar que minhas idéias de amor são tão fortes a ponto de serem carregadas pelos céus até te alcançarem, como se tivessem sido gritadas, sem pudor, para o azul infinito. Se algo que te escrevi realmente chegasse a teus ouvidos, derrubaria as barbaridades do caminho e encheria estas terras que nos separam de sentimentos bons e complexos, a ponto de dar esperança a pequenos corações, velhos e apaixonados, desregrados e desmerecidos, como o meu coração.
Amor, amor, amor. O que seria desta palavra sem as mortes que a assombram, sem o sangue que a banha, sem as guerras que a cercam. Seria nada, pois o valor do amor se vê pela morte, se vê pelo fim. Só se dá o valor merecido ao que se têm quando não mais te pertence. Amor enlouquecido, enlouquecedor. Ai de mim, que não o entendo. Não é sol, pois habita na escuridão, mas mesmo assim, têm luz própria, que irradia do apaixonado, portanto não é lua. Não é mar, mas afoga, sufoca e angústia. Não tem limite, não tem principio. Arde e mata. Como um incêndio causado pela seca. Começa sem nenhum indicio, e quando deparamos com a realidado, só há destruição.
Traz tormento, traz saudade.
Pressiona as cartas em meus lábios na esperança de que o outro mundo seja um bom mensageiro e, se não, na esperança de que este me dê bons soldados, que irão até ti e te trarão para os meus braços. Porém, sei que não mereço soldados. Não sou rainha, não tenho exércitos, e minha poção de esperança não tem gotas o suficiente para acabar com meu sofrimento. Sou apenas a prisioneira das grades de ossos que construí a minha volta. Nisso sou boa. Boa engenheira. Ergui, pintei e poli um amor só meu, cheio de exageros, confortos e gritos de loucura. Cheio de palavras bonitas, cheio de esplendor. O esplendor dos teus olhos.
Talvez um dia eu me levante. Ser rainha, ser plebéia, ser caçadora. Nada disso me interessa além de ficar aqui deitada no chão de pedra, encolhida no fundo do poço em que me joguei. Esta é minha penitência, a solidão.
Me desculpe amor, por que te menciono. Me desculpe por ter sido a outra, a última da fila dos desesperados. Me desculpe por me cansar de te imaginar feliz com ela. Me desculpe por ter me enganado e me apaixonado por aquela flor. Me desculpe por não ter me jogado ao mar e me exaurido em busca de teu barco, há muito levado pelo sopro de quem me ignora. Me perdoe por ter sido um porto sem cais.
Me desculpe amor por ter sido distante, por ter sido orgulhosa. Me desculpe por não ter admitido.
Me desculpe por ter enlouquecido.
Sempre tua, Rosalina.
Nenhum comentário:
Postar um comentário