Eu tenho medo. É uma sensação bizarra. Medo do futuro... de não saber o que quero. Agora que o tenho, também tenho o que perder. É a primeira vez que sinto medo de voar, de me jogar. Onde me prenderam?
Tenho medo desse caminho tortuoso que não escolhi mas trilho.
Sem rumo, vou seguindo cada dia numa inércia sem perspectiva, covarde, aos cutucões para seguir em frente. Olho-me no espelho e me pergunto: Quem é você? Onde está a garota de risada alta? Onde está a rainha das respostas inteligentes? Onde estão aqueles olhos brilhantes?
Onde estão as qualidades das quais eu me gabava?
Aqui, nos bastidores do meu palco sem holofotes, vejo que, talvez, os inimigos contra os quais tanto lutei estejam no ultimo andar do pódio, enquanto eu engraxo seus sapatos. Seja um beijo mandado para a viúva, seja um “Eu te amo” dito por quem não merece sofrer.
Me desculpem, mas me sinto presa. Estou atrás das grades, e a força que antes me fazia dobrar ferros está enterrada na lama avermelhada. Acho que minha força está sendo engolida por vermes do meu passado.
Passado que atormenta.
E quando eu acho que me livrei de todos aqueles fantasmas, eles me visitam na prisão, com palavras embrulhadas em papel celofane. “Quer um presente? Tome para si essas minhas memórias de te fazer sofrer.”
Eu preciso encontrar meu caminho, mas o mapa está de cabeça pra baixo.
Preciso deixar este palco, mas como um belo cisne branco, acho que só em outro mundo.
Preciso sair desta prisão, mas me ofereceram o advogado do diabo.
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