terça-feira, 3 de maio de 2011

Parar com isso

E se eu te falar que todas as vezes que eu te vejo tenho vontade de fazer qualquer coisa para que isso pare? Essa dor de ter te perdido. Aliás, perdido não, por que não se perde o que nunca se teve. Essa dor de nunca ter tido. Qualquer coisa.

E tu me olhas com cara de piedade, e fala baixo, enquanto mexe carinhosamente no meu cabelo – Você tem que parar com isso.

Tenho que parar.

Mas sabes por que eu faço isso? Será que consegues ver, no fundo dos meus olhos, o motivo que é o teu reflexo? Eu tenho que parar com isso. Parar de me massacrar, parar de me prender, parar de me sufocar, de me matar aos poucos, sem instrumentos, somente com a consciência de que te gosto, te amo, te quero sem recíproca.

EU TENHO QUE PARAR.

Mas será que ter é querer? Será que eu quero parar, e deixar essa esperança fraca e negra de lado, a única lágrima que resta para essas noites quentes? Será que eu tenho mesmo que esquecer como é ficar deitada nos teus braços, cercada pelo cheiro de grama, olhando a lua, essa mesma lua que vejo agora através das grades da minha janela? Será que eu quero esquecer que um dia tu pensaste em mim de forma diferente dessa que agora nós vivemos?

Será que querer é poder? Será que mesmo se eu quisesse te esquecer, eu conseguiria?

O que nós somos agora? O que é o abraço, o beijo no rosto? É o esquecimento? Então nós deixamos de fingir que nada aconteceu e entramos na fase em que realmente NADA aconteceu? Nós deixamos de fingir sermos amigos, e agora realmente somos? Meu amigo?

Ter que esquecer, ter que parar. Ter...

Simplesmente, não é poder.

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