Rostos sorridentes, pulos, lágrimas, fim. No meio da multidão, uma falha. Dissimulada, introspectiva. O sorriso não chega aos olhos, que também não brilham. São frios e opacos, em reflexão ao dia quente e expressivo. Estão secos, desobedientes. Ela gostaria de sentir, mas sentir está longe de ser uma possibilidade. Ela gostaria, mas não se permite. No passado, sentir foi uma espécie de facada. Certeira, mortal.
Ela olhou para os lados, a procura de apoio. Olhou para os lados a procura de um abraço sincero. Na verdade até os encontrou, mas não nos braços que gostaria. Nem tudo é como a gente sonha.
Acendeu um cigarro. A brisa bagunçava os cabelos, e os segundos passavam devagar, em contraste com os carros acelerados na avenida. Coloridos, brilhantes. A fumaça dançava em volta do sol, e a beleza generalizada era, na verdade, triste. Quando tudo está muito alegre, é monótono, por que em algum lugar do mundo alguém chora.
Queria ir embora, pra qualquer lugar, embora pra algum lugar que não fosse casa, que não fosse concreto, que não fosse prisão. Fugir, pra qualquer lugar, com a chama de uma vela e um violão. Com uma garrafa de vinho e umas roupas velhas pra improvisar. Um lugar onde o céu tivesse mais estrelas, sem ser daquelas que a gente liga na tomada. Um lugar onde, durante a noite, se escuta o silêncio mesmo quando há barulho.
Mas o bucolismo lhe escapou, e a cidade lhe encheu os ouvidos com uma buzina. Falsidade, fumaça, fim.
Havia acabado, finalmente, sem nem ter tido a oportunidade de começar. Desilusão, divisão, apreensão.
Força.
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