Ando numa antítese sentimental fora do comum. É frio e quente ao mesmo tempo. Tenso e monótono. Tenho lidado com situações inconvenientes, tenho feito coisas que nunca imaginei fazer. Atirei-me em um poço sem fundo aparente, e estou com medo de encontrar ossos do passado ao longo do caminho escuro, assombrações para minhas novas escolhas. Péssimas escolhas, no final das contas.
O problema é que, por mais fora do comum que meu presente pareça, é tão desafiador que não consigo deixar a idéia embaçada do que o futuro pode me reservar de lado, caso eu continue nesse rumo. Estou dirigindo na neblina, esperando encontrar abrigo, quando está claro que não há nada a quilômetros. Fico o procurando com os olhos, incomodamente, sem conseguir prestar atenção no que me dizem. Parece precipitação, mas não consigo pensar em nada. Não é sentimental, nem coisa bonita, é simplesmente uma sina. Desafiadora e cruel.
Pecadora. Me olho no espelho com a impressão de não me reconhecer. O rosto que sei, é meu, me encara com olhos de repudia. Que rumo tomei na estrada, se não o do abismo? Ele está lá, tão próximo e ao mesmo tempo tão distante. Está lá, outra mercadoria danificada e contraditória para a minha coleção de almas perdidas e enganadas, não pelos outros, mas por si mesmas. Acho que me identifico com olhos opacos. Os meus estão limpando a alma de dentro pra fora, coisa que já não faziam a muito tempo, brilhando em uma tristeza colossal.
Atitudes são um disperdício. É proibido tentar, mas deixar pra trás me parece tão fora de questão. Laços estão sendo cortados em uma história sem inicio nem fim, cheia de pessoas no meio. Só quero um dia de chuva pesada, e ainda me recordo do vestido preto molhado e do pé quebrado. Passado e futuro se encontram em uma linha tênue. É apenas uma repetição, como rebobinar uma fita quebrada.
identificações imensuráveis!
ResponderExcluir