Minhas paredes estão se dissolvendo em um mar gosmento de emoções não identificadas. Parece que tudo que me disseram, tudo que foi previsto em um sonho cheio de simbolismo nada agradável está acontecendo. Coincidência ou apenas destino? Não sei se ainda acredito em destino. Nós dois sentados lado a lado ontem, foi destino? A forma como você se inclinou em minha direção, e pela primeira vez, fui capaz de desviar meus lábios dos seus, foi destino? Você acredita que fomos predestinados a esses 14 meses, e que agora tudo está no passado, nada mais e nada menos que lembranças obrigatórias de momentos que faria quase tudo para esquecer? Eu não consigo mais acreditar em coincidências. Algo me levou a ele e essa semelhança entre vocês dois me deixa enjoada, não pode ser coincidência. É só um fato. Vocês são dois lados de uma folha em branco. Não há nada para ler, ou sou eu quem não enxerga as letras miúdas desse mistério?
Meu problema, eu gosto de desvendar as coisas. Gosto de pensar. Pensar me é mais útil que dormir, por isso as noites em claro e a convivência com pessoas que tem capacidade de me tirar o sono. Qual a graça na simplicidade? Qual a graça em quem só diz o que quer, só diz a verdade? E será que vocês dizem mesmo a verdade, e eu que a entendo como algo a ser desvendado? Os olhos são a melhor parte. Os seus olhos são nublados, e eu adoro uma boa tempestade. Barulho, tormento, destruição e calmaria. A tempestade é a antítese que eu mais gosto.
Enfim, você se foi e ele ficou, ficou na sala, mas não sentou no sofá. Está beirando a porta, e estou com medo de ter que dormir sozinha essa noite. A tempestade está longe da calmaria, e eu vejo os raios refletirem nos olhos dele, muito mais belos lá que quando vistos pela janela.
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