sábado, 20 de novembro de 2010

Boas Vindas




O cheiro de terra molhada invade minhas narinas.
Enquanto afundo meus pés descalços na lama.
Ando no acostamento, com os sons da estrada, sinto o vento,
Arranho meus braços em arbustos floridos.

Uma onda de paz me invade a alma.
Movo meus pés lentamente, esquerdo, direito.
Enquanto a chuva cai, congelante, calma,
E o único outro movimento é o arfar em  meu peito.

Fugindo, finalmente estou seguindo meus próprios passos.
Estou tomando meu rumo, sentindo o peso das minhas escolhas,
Desenhando meus próprios traços.

Talvez fosse melhor se tu estivesses aqui.
Teu polegar traçando círculos em minha mão. 
Teus dedos nos meus.
Mas ao não te ter ao lado meu coração sorri.
É mais doloroso quando não é recíproco.

A minha frente, na estrada, vejo um vulto de capuz,
Capuz negro que tapa o rosto. Um leve sorriso torto.
A risada metálica que me arrepia.
Minha mente diz "Corre!" mas não fujo da Morte.

Ela não me é estranha,
É quase uma velha amiga,
Que sempre vem, visita e nunca fica,
E agora faz sinal pra que eu me aproxime,
E me dá um abraço de boas-vindas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário