Sentada no escuro cada pequeno barulho é um erro que cometi. Cada movimento, cada resquício de luz. Um erro, mais um. Acho que eu estou enlouquecendo, e não acho ninguém pra me tirar do buraco escuro no qual me coloquei. As palavras jorram, como sempre. Mas sentimentos, sentimentos não existem. São apenas mais palavras. Palavras que eu retirei do meu dicionário.
Enlouquecer não é tão ruim quanto parece. Quando estou nesse estado tudo que sinto é a ira, e minha ira não dói. Coloco uma musica triste. Você a cantava pra mim, naquelas madrugadas de tempo perdido. Ela apenas rege o coral particular que tenho em meu quarto. Todos os meus demônios cantam a solidão, em seu palco de roupas desdobradas e lixo acumulado, enquanto lhes dou o tom. Estou descabelada, enrolada, e não consigo me encolher mais do que já estou encolhida. Quero me proteger do mundo, quando deveria me proteger de mim mesma.
Não sei mais escolher entre azul e rosa. Não consigo decidir que roupa vestir. Estou completamente indecisa, enquanto a cama bloqueia a porta, e a vida fica do lado de fora.
Eu só quero sentir o escuro. Só quero me sentir, pra ver se ainda estou aqui, escondida dentro de mim.
Assim que eu me achar, juro que devolverei as três flores pra ele. Assim resolvo esse meu amor indeciso, e escolho você. As flores não valem o sonho, não valem o beijo ilusório que foi dado no correr da inconsciência.
Escolho você, pois, quando estou lúcida, você aparece algumas vezes. Não tantas quanto eu queria, mas melhor um pássaro visitante do que um pássaro que se perdeu no inverno, e não encontrou a rota do norte. Talvez encontre a mim na decisão.
Escolho você, pois, quando estou lúcida, você aparece algumas vezes. Não tantas quanto eu queria, mas melhor um pássaro visitante do que um pássaro que se perdeu no inverno, e não encontrou a rota do norte. Talvez encontre a mim na decisão.
Ou talvez me perca de uma vez, assim como meu pequeno passarinho.
Talvez, quando eu me afogar nesse mar de mentiras e vaidades no qual me atirei, eu encontre o fim. Ah o fim.
Vou abraçá-lo.
Como nunca abracei ninguém antes.
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