Sinto tanta falta que meu peito engasga. E estou tão cansada de falar de saudade. De falar de tempos que se foram e não voltam mais. Daquela simplicidade.
Sempre pensando que é pra sempre, hoje não quero falar de amor. Quero falar de amizade, que pode até ser amor, mas é superior, é soberano. Na minha vida tive amigos de todas as espécies, etnias, credos e loucuras, mas poucos me fizeram chorar e marcar minhas folhas em branco com lagrimas, como alguns que me lembro agora. Meu olho transborda e minha boca seca de pensar que um dia fui feliz e não sabia.
Aqueles tempos sem preocupação, tempo no qual insisti em voltar e não consegui. Não se pode girar o relógio para a esquerda pensando que o tempo também irá para esse lado. Eu segui em frente sem querer, sem pensar muito que estava seguindo, que estava deixando pra trás.
Eu amei e não sabia.
Deixei de perguntar por vocês e deixei de perguntar por aquela garotinha vestida de amarelo com uma varinha falsa na mão. Deixei aquela infância pra trás por que tinha medo de olhar e sentir falta, olhar e não poder voltar. Tinha medo de olhar e chorar, como choro agora. Sinto falta. Não me culpo inteiramente.
Todos deixaram pra trás.
Mas mesmo tentando, eu não esqueci.
Quando esse lapso de memória me vem, vem com ele o sorriso. A alegria da Barbie de asas azuis, daquela fita cassete que guarda momentos bobos, e ao mesmo tempo importantes. Vem o sorriso de um violino falsificado e de uma cabeça com gel. O sorriso de cantar no palco do colégio, de rolar as escadas e de botar as mãos no ouvido quando o raio cai.
Nós crescemos. Não sei se isso é bom, se é ruim. Quando era tempo, queria crescer, agora que passou, quero voltar. Crescer não é tão bom quanto parece. Responsabilidade, decisão. Indecisão.
“Mal sabíamos o que viria pela frente.” Não, nunca nos avisaram, e não há como prever. Mas tenho a memória, e, agora que a libertei, talvez ela sirva de história pra ajudar a dormir.
Talvez lembrar seja meu conto de fadas. História de criança que foi construída com vocês, minhas lembranças. Eu lembro de vocês. Me permito, sinto falta.
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